Realidades da ECO-92 e esperanças da Rio+20

Depois de 20 anos, ocorre a terceira conferência mundial sobre as questões sócio-ambientais. Quais foram as mudanças que, de fato, ocorreram no contexto global entre esses 20 anos?

A Conferência Rio-92, ou ECO-92, fez com que o termo “desenvolvimento sustentável” se tornasse comum e preocupante ao mesmo tempo, tratando-se de alcançar metas econômicas sem comprometer o meio ambiente e a sociedade civil. Quais foram as feitorias do estabelecimento da ECO-92 e da adoção da Agenda 21? Elas se tornaram reais? Qual é a realidade global atual que traça os caminhos que deverão ser adotados pelas Nações Unidas em garantir o máximo sucesso da Rio+20?

 

Bandeiras dos países membros da ONU em Nova York

 

Em 1972, a Conferência de Estocolmo deu o primeiro alerta global sobre as questões ambientais, sendo a primeira conferência da história com o objetivo de organizar as relações entre homem e meio ambiente. Os recursos naturais que, até então, pareciam inesgotáveis aos olhos do mundo capitalista começaram a entrar em estado de atenção. Várias mudanças na natureza começaram a ser observadas, como a diminuição do volume de rios e lagos, o aumento na taxa de inversão térmica nas grandes cidades, a chuva ácida, e começou a se falar das conseqüências da industrialização mais do que nunca havia sido dito em nenhum momento da história contemporânea. A ONU entrou em cena, criando a Conferência de Estocolmo, com o intuindo de voltar os olhos dos países mais ricos à preocupação com as questões ambientais. Mais de 100 países e 400 ONGs expuseram suas idéias na conferência.

Vinte anos depois, no Rio de Janeiro, ocorreu a conferência ECO-92. As duas principais marcas dessa conferência foram (1) a criação do termo “desenvolvimento sustentável” e (2) a elaboração da Agenda 21, que consistia no compromisso de cada país em crescer, de todas as formas possíveis, garantindo harmonia entre homem e ambiente e, além disso, promovendo um desenvolvimento econômico-social das esferas menos favorecidas das populações de cada país. A ECO-92 também propiciou campo para o surgimento do Protocolo de Quioto, em 1997, com o objetivo de levar os países à redução da emissão de gases estufa. Dez anos após a ECO-92, ocorreu a Conferência de Joanesburgo, que foi voltada apenas às causas sociais.

O ano de 2012 marca a vez da Rio+20, a terceira conferência mundial sobre meio ambiente, que trata principalmente sobre a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável. Além disso, existe uma gama muito ampla de assuntos sociais que também serão discutidos na conferência, tais como alimentação, consumo consciente, transportes, energia, saúde e megacidades.

Todas essas conferências visaram melhorar os setores energéticos promovendo o uso de fontes renováveis, aperfeiçoar os transportes, proteger florestas e mares, guardar as biodiversidades e os biomas mundiais, limitar as emissões de gases, lutar contra a pobreza e a fome, proteger a saúde humana, administrar racionalmente a tecnologia e biotecnologia, fomentar a educação e garantir um desenvolvimento pensando no melhor às gerações futuras.

 

Transporte sustentável em Amsterdam

 

Duas décadas depois, é a vez de debater sobre todas as mudanças remediadas nesses últimos anos e planejar as mudanças que deverão ser adotadas com o intuito de se obter o desenvolvimento sem comprometer as gerações futuras. Em 20 anos, o avanço tecnológico mudou completamente o comportamento da população. O consumo atingiu recordes históricos e tornamo-nos uma sociedade de geradores de lixo. As desigualdades sociais estão diminuindo nos países desenvolvidos, mas estão crescendo nos países em desenvolvimento, que concentram mais de 80% da população mundial. O derretimento das calotas polares acelerou. Já somos mais de 7 bilhões de poluidores. O planeta terra, então, entrou em uma nova era, o antropoceno, no qual o ambiente passou a ser modificado pelo animal dominante, o ser humano.

Utilização de combustíveis fósseis, aumento do nível dos mares, desastres climáticos, descrença de que a humanidade se uniria para enfrentar o desafio da conscientização geral da população, rivalidades entre as nações emergentes e as mais ricas, miopia dos políticos: tudo contribuiu para fazer acabar o sonho construído na ECO-92.

Em suma, nada mudou desde então. Estados Unidos e China, os maiores poluidores do mundo, ainda continuam boicotando as negociações.

De fato, as conferências contribuíram para disseminar conscientização, porém elas ainda não apresentaram resultados concretos relevantes, porque não existe uma espécie de multa aplicável aos descumpridores das medidas combinadas. Apesar dos vários encontros históricos (Copenhague, Dublin, Quioto, Rio-92, Rio+20 etc.), a realidade é que não sabemos se progredimos ou regredimos.

 

Rio+20 logo

 

A Rio+20 tem papéis históricos extremamente importantes: de nos mostrar que índices piores de aquecimento global são inaceitáveis, que existe um fator evitável de aumento da pobreza, e que é possível existir uma economia sustentável, como já fora provado pela Coréia do Sul após a crise de 2008.

Uma forma concreta para entender alguns dos resultados da ECO-92 que não deram certo foi o de que a população mundial aumentou em 1,5 bilhão de pessoas em 20 anos e a produção de alimentos aumentou em uma escala significativamente maior, porém a eficiência na distribuição não cresceu no mesmo ritmo, aumentando as taxas de fome e morte por falta de alimentos em todo o mundo. Outro fator contraditório é PIB, que cresceu, mas quem recebeu esse crescimento foi uma pequena parcela da população global. Solução: combate às desigualdades. Hoje, metade da população do mundo vive com menos de 2 dólares por dia. Há mais pessoas vivendo na pobreza hoje do que havia há 20 anos trás.

O PIB não é o melhor indicador de riqueza de uma nação. Supondo que um país corte e venda todas as árvores de todas as suas florestas, ele ficará mais rico, porém perderá seus ativos em longo prazo. Para o PIB ser mais preciso, questões ambientais também deveriam ser incluídas nas medições, juntamente com educação e desenvolvimento humano.

Existe um protesto, intitulado ironicamente “Rio + ou – 20”, feito por ex-ministros, políticos brasileiros e economistas, que diz que a Rio+20 irá fracassar. A ONU tem o importante papel de manter a importância da conferência, pois em uma conferência onde todos os assuntos possíveis estão inclusos, até mesmo a crise financeira, fica facilmente possível desviar o foco principal (meio ambiente) a outros assuntos. O fato é que se a temperatura média do planeta subir 4º ou 5ºC, não haverão outros assuntos para serem tratados posteriormente, por mais louváveis que eles sejam.

 

por Gabriel Zago

18 de junho de 2012

 

Referências: Laboratório de Estudos Populacionais da Universidade de Columbia, Nova York

A energia que move o mundo

Na era da revolução verde, após o surgimento do termo “desenvolvimento sustentável” no final do século XX e, mais especificamente, no ano em que o Brasil sedia a conferência internacional de meio ambiente, Rio + 20, os assuntos energéticos vêm ganhando importante destaque, pois tratando de energia não renovável, os combustíveis fósseis, que são a atual matriz energética do planeta, são um dos principais responsáveis pela crescente poluição atmosférica e por alavancarem o aquecimento global.

 

 

A energia é um item primário para o desenvolvimento econômico de um país e é prioridade de todos os governos. Sem ela, nenhum setor econômico ou social, tais como indústrias ou cidades, funciona.

Nos tempos antigos, o homem utilizou fontes de energia para garantir seu próprio progresso, como o vento (para mover barcos) ou água (para mover moinhos), mas paralelamente à evolução tecnológica, ele buscou novas formas de produzir energia. Foi com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, que começou o uso da máquina a vapor e que, conseqüentemente, impulsionou a economia global dos séculos seguintes. A utilização em larga escala da máquina a vapor fez com que, pela primeira vez na história, o homem voltasse seus olhos às questões ambientais, pois foi somente a partir da 1ª Revolução Industrial que os níveis de poluição começaram a se tornar devastadores em progressão geométrica e, resultantemente, nos séculos seguintes, o aquecimento global começou a ser seriamente discutido.

Dentre os combustíveis fósseis (energia não renovável), o petróleo é mais empregado no planeta, pois garante maior rentabilidade na relação entre custo e benefício e, além disso, concentra grande quantidade energética em cadeias de carbono, que é capaz de gerar outros produtos, como gasolina, diesel e plásticos. De acordo com dados da IEA (International Energy Agency), em 2010, mais de 85% da energia mundial não era renovável, o que incluía petróleo e demasiados, gás natural, carvão mineral e energia nuclear. Chama-se de energia não renovável todas as formas finitas de fonte de energia.

 

Contrariedades do uso nuclear

 

Existem mais de 400 usinas nucleares no mundo, de acordo com a IAEA (International Atomic Energy Agency). A energia nuclear é uma alternativa, em termos de quantidade de energia produzida, extremamente rentável, porém gera graves danos ao meio ambiente. Para um país fazer uso de tal energia, é necessário alto investimento em tecnologia e, também, que ele possua jazidas de urânio. Após os desastres históricos de Chernobyl e Fukushima, países como a Alemanha, que possui atualmente 17 usinas, estão se comprometendo a substituir suas matrizes energéticas por outras fontes de energia, “energias limpas”. A energia nuclear causa sérios danos ao meio ambiente, pois seus resíduos emitirão radioatividade por centenas de anos após o descarte dos mesmos. Essa radiatividade é capaz de contaminar fontes de água, solo, animais, e até mesmo povoamentos localizados nas proximidades dessas usinas, o que pode resultar no desenvolvimento do câncer em humanos, má formação fetal, deficiências no sistema nervoso, anomalias e outros tipos de doenças.

Diferentemente da queima de combustíveis fósseis, as usinas nucleares não emitem dióxido de carbono diretamente, porém ao se considerar toda a cadeia de produção da energia, desde a extração do urânio até seu descarte, os níveis vão às alturas.

A energia nuclear, que é responsável por 6% da matriz energética global, será uma das principais pautas discutidas na Rio + 20, e serão analisadas novas formas de produção de energia afim de garantir o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza mundial.

 

Brasil: equilíbrio na matriz energética

 

O Brasil possui duas usinas nucleares, que contribuem com uma parcela não muito significativa da matriz, mas que causam danos ambientais irreparáveis. A matriz energética do Brasil é, majoritariamente, provinda do petróleo, mas outra principal fonte de energia é a energia hidrelétrica, que é considerada renovável, porém causa danos às florestas e populações ribeirinhas com o alagamento de rios. A matriz brasileira é bastante equilibrada, mas a maior parte da energia produzida ainda é resultado da queima de combustíveis fósseis. O Brasil tem aproximadamente 50% de energia renovável e 50% de energia não renovável em sua matriz, porém o ideal seria ter no mínimo 70% de energia limpa, e utópico seria ter 100%. A média mundial de matriz em energia renovável é de 14%, segundo a IEA.

Foi a partir dos anos 70, após a crise do petróleo, que a matriz energética do Brasil começou a se diversificar. Em 2007, o etanol se tornou o segunda fonte de energia mais utilizada no país, perdendo apenas para o petróleo. O Brasil também usa combustíveis vegetais para gerar energia, como a biomassa, e também faz uso de energia eólica.

 

 

É possível produzir energia sem comprometer o meio ambiente?

 

Para um desenvolvimento perceptivelmente sustentável é necessário que os governos repensem as matrizes energéticas e invistam em formas verdes de produção de energia, como solar, das marés ou até mesmo eólica, porém todas essas formas de energia têm seus prós e seus contras. A energia solar é altamente viável, pois o sol é uma fonte inesgotável de energia, porém é interrompida a noite ou em dias nublados. A energia eólica também é resultante do vento, outra fonte inesgotável de energia, porém pode gerar grande poluição visual, visto que para produzir uma quantidade considerável de energia são necessários muitos cata-ventos. A energia das marés é provinda do mar, fonte abundante de energia, porém sua produção é interrompida à medida que cessam as marés. O biogás pode substituir o petróleo e diminuir o lixo orgânico, porém é difícil de ser armazenado. Outros biocombustíveis (biodiesel, etanol, bioéter) podem substituir diretamente o petróleo e as enormes plantações de vegetais podem absorver o gás carbônico da atmosfera, porém esses vegetais ocupam áreas que poderiam ser destinadas ao plantio de alimentos.

Em suma, todas as formas de energia possuem prós e contras, entretanto é indiscutivelmente melhor, em termos de desenvolvimento sustentável, que existam interesses por parte do governo e de empresas privadas em investir em pesquisas sobre novas formas de produzir energia limpa sem comprometer o meio ambiente e garantindo eficiência energética para o progresso econômico e, primordialmente, caucionando a redução dos impactos ambientais já causados e em favor de gerar, no futuro, sociedades sustentáveis.

 

por Gabriel Zago

06 de junho de 2012

Nossas coisas são projetadas para nós ou para o lixo?

As coisas que compramos são feitas para serem descartadas em pouco tempo? É simples responder a essa pergunta. Basta apenas analisarmos quantas vezes em nossas vidas já compramos exatamente os mesmos itens em modelos diferentes.

O principal motivo que me levou a escrever essa coluna foi que comecei a perceber que a cada ano que se passava, eu comprava um novo celular. Eu não comprava um aparelho novo apenas para satisfazer minhas necessidades de auto-realização, mas comprava para atender a necessidade básica de que eu precisava de um celular para facilitar a minha vida diária. Notei que estava comprando um aparelho novo mais de uma vez por ano porque o anterior parava, por algum motivo, de funcionar corretamente. Se tornava obsoleto. Passei a notar que todas as coisas que eu comprava estavam se tornando lixo em uma velocidade cada vez maior.

As grandes empresas usam a beleza e a eficiência para nos convencer a comprar seus produtos. Quando isso não dá certo, elas nos mostram que “todo mundo tem o novo iPad e é ultrapassado quem ainda não o tem”. Comprar uma determinada marca pode se tornar um vício.

Nas sociedades em geral, a função do governo é de garantir os direitos fundamentais das pessoas. Não é o que ocorre. O que ocorre é que, atualmente, os governos se preocupam cada vez mais em garantir primeiramente os interesses das corporações globais. Ao listarmos as maiores economias do mundo, veremos que mais da metade delas são corporações! Elas não só parecem ser maiores que os governos, elas são maiores que os governos. É graças a elas que o papel do homem no planeta se limitou ao consumo.

O consumo é o coração do sistema econômico. Proteger e garantir o consumo se tornou prioridade do governo e das corporações. É do conhecimento de todos que a solução apresentada pelo governo americano para superar as crises de 2001 e 2008 era dizer as pessoas para consumirem. Sim, CONSUMIREM!

Tornamo-nos uma sociedade de consumidores. Até os anos 50, éramos avaliados pelo nosso ‘status’ social, que dava “valor” apenas às pessoas mais ricas da sociedade. Hoje, somos classificados de acordo com a nossa capacidade e frequência de consumo. Somos vistos como importantes pela sociedade apenas se consumimos ou contribuímos com a flexibilização do consumo. Consumir se tornou a principal atividade humana. Ter um produto moderno não nos satisfaz. O que nos satisfaz de verdade é irmos a uma loja escolher algo novo para levarmos para casa.

Existem pesquisas que afirmam que somos expostos, diariamente, a mais de 3000 propagandas. Vemos anualmente mais propaganda do que pessoas, há 60 anos atrás, viram em todas as suas vidas. O objetivo dessas propagandas? Garantir que continuemos a desempenhar o papel que a sociedade atual nos disse que devíamos fazer: trabalhar para consumir.

É um ciclo que, se não controlado, só termina no fim das nossas vidas. Trabalhamos o dia todo, chegamos cansados em casa e sentamos à frente de nossas TVs ultra modernas de LED e tela fina, vemos comerciais que nos dizem que “nosso cabelo está errado, nossa pela está errada, nossas roupas estão erradas, NÓS estamos errados; mas que tudo isso pode ser resolvido se formos às compras. Então vamos às compras para nos sentirmos melhor, depois trabalhamos para pagar o que compramos e chegamos em casa mais cansados, vemos mais televisão, que nos diz para fazermos compras outra vez. (…) É um ciclo de ‘trabalhar-ver-comprar’“. O que fazemos com os produtos que nunca paramos de comprar? Os descartamos e compramos novos. Muitas vezes exatamente iguais aos anteriores.

A principal revolução implementada pelo Neoliberalismo é a do consumo. As duas estratégias que vêem ganhando cada vez mais impacto na realidade econômica são a obsolência planejada e a obsolência perceptiva. Elas existem desde a década de 50 (progresso industrial). Na obsolência planejada (“criado para ir pro lixo”), as empresas criam produtos que de modo que esses se tornem inúteis o mais rápido possível para que os joguemos fora e voltemos a comprar. Na obsolência perceptiva, por sua vez, somos convencidos pela propaganda de que precisamos cada vez mais de coisas novas.

“Já reparou que quando compra um computador a tecnologia muda tão rapidamente que em poucos anos se torna quase um impedimento para a comunicação? Fiquei curiosa e abri um destes computadores para ver o que tinha dentro e descobri que a peça que se muda a cada ano é apenas um pecinha no canto. Mas não se pode mudar apenas essa peça porque cada nova versão tem um formato diferente. Tem que jogar tudo fora e comprar um novo! (…) A obsolência perceptiva nos convence a jogar fora coisas que ainda são perfeitamente úteis. Como fazem isso? Mudam a aparência das coisas. Por isso, se comprou suas coisas há alguns anos todos percebem que você não contribuiu para o consumo, o que pode ser embaraçoso. Por exemplo, se eu tiver o mesmo monitor de computador gordo e branco na minha mesa por 5 anos e a minha colega tiver comprado um computador novo, ela vai ter um monitor plano, brilhante, que combina com o computador, com o celular e até com as canetas. Ela parece estar operando uma nave espacial, e eu pareço que tenho uma máquina de lavar na mesa.”

LEONARD, Annie. The story of stuff. 2008. United States.

Temos cada vez mais coisas obsoletas que se tornam lixo em menos de 1 ano. Pensar sobre produtos que são projetados para irem ao lixo nos depara com uma estratégia de vendas. Produtos eletrônicos são cada vez mais difíceis de consertar e fáceis de quebrar. É cada vez mais comum que um produto novo seja mais barato do que consertar um produto antigo. Por que as empresas fazem isso? Para garantir que nós cumpramos nossa função consumista. Há cerca de 2 anos, comprei uma câmera digital Samsung que quebrou  9 meses depois. Fui até a assistência técnica da marca e o conserto ficava em 350 reais. Procurei na internet e vi que uma outra câmera Samsung que tinha exatamente as mesmas funções que a minha custava 400 reais! É um impedimento ao bom reuso?

Fazer as pessoas comprarem não só causa danos a seus bolsos, como também ao meio ambiente! Produtos eletrônicos são produzidos por partes em diversos lugares do mundo, o que é chamado de globalização da produção. Além disso, eles recebem diversos produtos químicos tóxicos (PVC, mercúrio, chumbo, solventes, CFCs, retardadores de chamas etc.) que prejudicam as pessoas que trabalham na linha de produção desses produtos, bem como quem os consome. Computadores, TVs, celulares; todos esses produtos liberam poluentes bem devagar enquanto os usamos. Mesmo parecendo limpa, a indústria de alta tecnologia é uma das indústrias mais poluidoras do mundo. Soube através de pesquisas em diversas fontes, que funcionários da IBM no Vale do Silício tinham 40% mais abortos e muito mais mortes por câncer no cérebro do que a média da população americana. Produção sustentável? Fica a critério do leitor.

Geralmente usamos um produto eletrônico por cerca de um ano, ou talvez muito menos, até que esse produto sofra “morte natural” e nos faça trocá-lo por outro. O produto que você tinha não quebrou de uma hora para outra, ele foi criado para durar pouco tempo!

Depois de descartados, os produtos são enviados à países em desenvolvimento (outro nome para países com baixa perspectiva de vida) para serem amontoados em montanhas de sucata eletrônica, ou pior, eles podem ser queimados e seus químicos tóxicos serão lançados à atmosfera. Toda a sociedade paga pela “externalização de custos”: trabalhadores pagam com a saúde, moradores pagam bebendo água poluída com partículas tóxicas invisíveis. A externalização de custos permite que as empresas continuem produzindo para o lixo, onde elas ficam com o lucro e todo o resto paga.

Existem leis de devolução de produtos surgindo em todos os cantos do planeta. Tudo depende do consumidor! Se forçarmos que as empresas melhorem seus produtos, quem sabe em um futuro próximo elas estejam concorrendo para criar produtos que durem mais e com menos poluentes? Nós devemos ser a mudança que queremos ver. Seria fácil apenas irmos às lojas e termos a opção de comprar produtos eletrônicos ecológicos, mas não temos, pois a nossa opção de escolha por produtos é limitada pelas escolhas de quem projeta o produto e pelo governo.

O que precisamos é de uma indústria de eletrônicos menos poluente e que seja feita para durar por mais tempo.

 

por Gabriel Zago

29 de abril de 2012