Era dos compartilhamentos?

Facebook

 

Na transição da Idade Média para a Idade Moderna especulava-se que o homem, até então, atingira seu auge de perfeição, desenvolvimento científico e social; pois era impossível maior desenvolvimento para os viventes de tal época.

O progresso alçado na Idade Contemporânea mostrou que o homem nunca para de se desenvolver, tanto quanto animal, como ser social; a não ser que seja impedido. Aquilo onde vivemos hoje é resultado da combinação de diversos fatos e influências de tudo o que deixamos para trás pela construção da história humana. Porém, aquilo que somos hoje prova não ser resultado da busca incessante por conhecimento provinda do passado. Em outras palavras, é afirmável que os ensaios de grandes períodos históricos de evolução, descobrimento, inovação e invenção, fizeram com que a sociedade atual atingisse elevados níveis de sofisticação e tecnologia; porém é atestado que mesmo convivente a tamanha admirável tecnológica e perfeição na interação social, o homem contemporâneo não dispõe de proporcional grau de intelectualidade.

Desenvolvimento gera melhoras, correto? Deveria estar correto. Atingimos o grau máximo de esplêndida tecnologia, o que era de se esperar depois de 50 mil anos de existência do homem moderno (para a Biologia) disponíveis para desenvolver, mas os níveis gerais de inteligência não cresceram no mesmo ritmo. Moldamos os padrões e estruturas tecnológicas que não têm mais como serem melhorados. Uma coisa ou outra pode mudar, mas o “grosso” da tecnologia já se aperfeiçoou ao máximo. É certo que hoje temos outra visão de mundo, porém tratando de conhecimento bruto, quem vivia na Idade Média tinha mais conhecimento do que quem vive nos dias de hoje, incluindo a dificuldade de acesso ao mesmo da Idade Média. Talvez as pessoas que viviam na Idade Média era mais inteligentes do que as que vivem hoje por conta da dificuldade de acesso à informação; o que despertou maior interesse… Com a internet, hoje é possível a existência de milhares de Einsteins pelo mundo, porém muitas das pessoas com padrões de compreensão e atenção elevados (que seriam extraordinários se conservados e estimulados) desperdiçam a maior parte de seu tempo compartilhando opiniões iniciadas por outras em redes sociais, sendo que poderiam estar criando suas próprias opiniões e difundindo-as com outros pensantes.

O homem, além de alienado pela mídia, não é mais capaz de ter suas próprias idéias. A internet, a mídia e os governos o fazem acreditar que ele é pensante. As pessoas não criam mais o ponto de partida para algum ideal, elas compartilham idéias existentes, pré-definidas ou feitas por outras pessoas.

Uma pesquisa divulgada, em 2010 pelo Instituto Nielsen do Brasil, diz que mais de 85% dos brasileiros acessam redes sociais. Quase 1 bilhão de pessoas no mundo acessam o Facebook. 500 milhões usam o Twitter (incluindo apenas  contas ativas). Somando Orkut, MySpace e Badoo, o número de usuários globais atinge consideráveis 240 milhões. Também em 2010, foi divulgado que apenas 25% da população mundial tinha acesso à computadores (1,5 bilhão de pessoas para a população da época). Destes, mais de 80% usam redes sociais.

A pluralidade de pessoas que usa redes sociais é tão elevada que altera a capacidade delas de se expressar sem receber influências. O vocabulário das pessoas também diminuiu. Além de não terem mais opiniões próprias, os viventes de hoje compartilham até mesmo um simples “bom dia” no Facebook. Ao analisar a “linha do tempo” de publicações no Facebook em seu horário mais agitado (entre 19 e 21hs), notei que das 50 primeiras atualizações que contei, 44 eram compartilhamentos de fotos, frases, vídeos, aplicativos e outras coisas. Quer tirar sua conclusão? Olhe a página inicial do Facebook e conte quantos compartilhamentos você vê. Novamente: ninguém mais publica opiniões próprias, visto que é mais fácil “curtir” as que estão disponíveis e “compartilhar” as consideradas interessantes por esta população com baixo vocabulário e desinteresse em leitura.

É verdadeiramente lamentável que depois de tanto progresso feito por conjuntos de pessoas pioneiras em toda a história, vivamos e caminhamos em direção, cada vez mais acelerada, ao regresso social, ao iletrismo e à insciência.

Mobilização!

 

por Gabriel Zago

23 de agosto de 2012

Por que a mídia não fala sobre a greve nas universidades federais?

Os 3 meses de greve das instituições federais se tornam cada vez mais invisíveis. Enquanto os assuntos mais comentados da mídia brasileira atingem uma população desinteressada por Educação (sim, totalmente desinteressada por Educação) e que prefere saber sobre Olimpíadas ou sobre a vida pessoal de pessoas famosas, mais de 50 universidades e institutos federais permanecem em greve e sem nenhum aparente avanço nas negociações.

 

Por que a Globo não fala sobre a greve dos professores das universidades federais?

 

A realidade mostra que mais de 90% da população não sabe que 80% das universidades do país estão em greve, mas sabe de cor todas as falas de uma novela disseminadora de pessoas sem opinião, brutas, vulgares, vingativas e cada vez mais fúteis e estúpidas.

Ao invés de exclamarem a necessidade de revolta populacional por conta da educação precária, ironicamente é muito mais fácil as pessoas ficarem no conforto de seus queridos lares sem perderem um capítulo de uma novela irrisória e que não pode oferecer nada a elas, salvo de pessoas cada vez mais ignorantes e que têm TODA a sua educação provinda da televisão.

 

 

Não chega a 15% o número de brasileiros que têm diploma universitario, cursam ou cursarão o ensino superior em até 3 anos. Mas os números são ainda mais críticos quando mostrados que destes mesmos 15%, quase 40% não dominam as necessidades básicas de leitura e escrita e outros 40% tiveram ou terão um ensino superior de qualidade ruim a regular. Dos 20% que se escapam dessa verdade, que equivalem a pouco mais de 5 milhões de pessoas, quase 80% vieram de universidades públicas. Status atual das universidades públicas: greve que ultrapassa 3 meses e sem previsão para retorno, visto que ”o Ministério da Educação anunciou o encerramento das negociações, pois a Copa do Mundo se encontra em previlégio agora”.

 

O vídeo abaixo mostra as promessas de Dilma Rousseff relacionadas a Educação antes das eleições, porém a realidade diz que seu governo está caminhando no sentido oposto ao que antes pregava:

DILMA ROUSSEFF: “Se não houver pagamento digno para professor, não há valorização pela sociedade da profissão de professor. Então, não há como, no Brasil, se fazer qualidade da educação sem pagar bem o professor. Nós começamos fazendo o piso nacional do magistério e elevando o salário para R$1.024. É pouco? É pouco. Porque o professor pra ser valorizado, ele precisa de ganhar bem. E mais: ele precisa de ter formação continuada. Não se pode, também, estabelecer com o professor uma relação de atrito quando o professor pede melhores salários, recebê-los com cassetetes ou interromper o diálogo.O diálogo é fundamental no respeito a essa profissão. E o Brasil só irá sair de uma situação de país emergente pra uma situação de país desenvolvido se a gente assegurar qualidade de educação pra nossos filhos e pra nossas crianças. Então, pra gente falar em creche, pra gente falar em educação básica, ensino fundamental, nós precisamos ter professores bem formados e ter professores bem pagos. Aí, a sua filha vai ficar orgulhosa; seus filhos vão ficar orgulhosos: ‘olha, eu sou professora e sou reconhecida socialmente’. Por isso que eu farei da campanha pra pagamento de salários dos professores uma das questões fundamentais do meu governo. Pagar bem o professor é o grande desafio que nós temos nos próximos anos pra além de qualquer outra coisa…”

 

 

O Andes (sindicato da greve) afirma que a situação está tão crítica nas universidades federais que até chega a faltar papel higiênico nos banheiros dos campi. O governo Dilma, que antes tinha como maior interesse a Educação, mostra estar longe da meta anterior à campanha provando que a realidade é outra.

Os instrumentos de comunicação como a TV aberta, que predomina em quase 70% dos domicílios que possuem aparelho de televisão no país (96% dos domicílios brasileiros possuem aparelho de televisão de acordo com dados da National Geographic Society) não comentam absolutamente nada a respeito da greve dos docentes das universidades federais porque a maioria dos canais abertos é aliada ao governo federal e está impedida de manchar sua imagem de “Brasil, um país para todos”. Além dos canais aliados, existem os não-aliados, aqueles que DIZEM pregar o jornalismo sério que SEMPRE explicita todos os lados das informações; mas apenas dizem.

 

 

As pessoas que não sabem o que realmente ocorre por trás das imagens falsas e obscuras que a mídia sazonalmente expõe dizem que os professores são gananciosos ao lutarem por melhores salários (a média de sálario da PM é maior que a média federal dos docentes) e que os sindicatos “só servem para atrapalhar”. Mas estas pessoas não sabem que os seus antepassados lutaram desde 1930 pelo direto da democracia e que o direito de greve foi uma das maiores conquistas democráticas depois do Regime Militar e que sem a presença dos sindicatos nada seria como tal é hoje. Essa fluência de informações abstratas e distorcidas que circulam na boca do povo, vêm da falta de interesse deles em saber o que realmente ocorre. “O limite da ignorância é quando alguém opina sobre algo sem saber nada a respeito do que está falando”.

É inequívoco e indiscutível que a mídia quer pessoas estultas para ter facilidade em manejá-las. É inconveniente para a imprensa evidenciar manifestações em prol de uma melhor educação superior porque estaria fugindo de seu encargo perante o governo em mostrar a insatisfação das pessoas com a gestão. Além do mais, se a população exige ensino superior de qualidade, não seria do interesse da mídia mostrar que isso ocorre, pois assim ela perderia as pessoas estúpidas que assistem a sujidade de seus programas de fim de domingo e a frivolidade de suas novelas de horário nobre.

 

 

Para demonstrar que realmente prega jornalismo, a mídia fala pouco sobre a greve das universidades nos jornais e na internet, porém majoritariamente quem lê jornais e utiliza a internet para bons fins são justamente as pessoas desconvencidas pela mídia, o que não leva a nada, pois o alvo central para a diminuição dos níveis de ignorância das população fica mais longe de ser alcançado porque quem realmente precisa saber da ineficiência do governo apenas têm acesso a TV aberta; que foi exposto anteriormente seus interesses. Quando a mídia raramente comenta sobre a greve, fala que os grevistas são vândalos, mas não mostra o porquê das manifestações.  Os caminhoneiros, cuja greve não dura 2 semanas foram visivelmente mais comentados do que a greve docente, ganhando capas de revistas alienadoras, páginas principais de jornais, além de teasers demorados em telejornais.

Há vários lutantes na internet exigindo da mídia uma transparência de assuntos como esses, porém esses gritos de democracia não estão alcançando o efeito desejado. Falta uma mídia transparente e inteiramente voltada em levar a verdade desprovida de interesses às pessoas. Isso sim é jornalismo.

 

 

 

O que falta ao povo, e provado por esta coluna que também ao governo, é entender que progresso não são cidades desenvolvidas, não é todos terem casa ou carro próprios, não é polícia nas ruas, não é emprego para todos, mas sim EDUCAÇÃO. É possível dizer com a maior convicção do mundo que isso é progresso. Educação é progresso. Uma vez de qualidade, se transforma em progresso. E uma vez alcançada uma excelente Educação, não existe regresso; diferentemente de outras esferas políticas e econômicas.

Mas sobra dizer que o resultado das inúmeras manifestações e a pouca informação sobres estas só levou, em 3 meses, ao fortalecimento da idéia da divisão e da inferioridade, visto que o governo federal ignora por completo a greve docente federal.

 

por Gabriel Zago

13 de agosto de 2012

Voto de cabresto no século XXI?

Voto de cabresto é o nome dado a uma forma tradicional de controle político que ocorreu no Brasil no século XX. Ele teve como características principais a compra de votos, o abuso das autoridades no poder e a utilização da máquina pública em larga escala nas eleições. O nome “cabresto” faz alusão à uma espécie de correia utilizada na cabeça de animais ungulados (cavalos, burros, éguas) para amarrá-los ou dirigi-los. Era exatamente o que ocorria com o eleitorado na época do coronelismo.

Os coronéis abusavam de sua autoridade para controlar as eleições dentro de seu “curral eleitoral”. Eles controlavam a população de acordo com seus interesses. Garantiam que a população votasse somente nos candidatos indicados por eles.

 

Século XX, Brasil

 

Século XXI: Democracia? O direito de decisão está realmente nas mãos do povo? Quem vive em países liberais no século XXI tem o direito de escolher em quem votar, certo? O direito as pessoas até têm, porém nem sempre elas votam sem receber influências externas.

Vivemos em uma era onde diferenças religiosas e políticas são dominantes em escala global e geram polêmicas discussões. Os votos hoje em dia são tão controlados quanto eram no passado? É claro que as eleições no Brasil de hoje não são fraudadas como ocorria antigamente, mas elas são explicitamente influenciadas indiretamente pela mídia e por outros meios de comunicação.

Jornais, revistas, canais de televisão, programas de TV, atores e escritores estão cada vez mais influenciando as pessoas em decisões políticas. Não adianta um canal de televisão promover um debate às vésperas de uma eleição, sendo que após esse debate ele favorecerá um determinado candidato em notícias positivas e até mesmo pelo uso de blogs ou comunidades.

Não é o governo quem quer pessoas ignorantes para poder controlá-las, é uma grande parte da mídia. Fica fácil fazer com que alguém vote em um determinado candidato apenas por citar suas benfeitorias em uma novela que 70% da população (sem senso crítico) assiste e se deixa influenciar por lindas e ‘barraqueiras’ atrizes e então copia o que elas fazem na vida real. Essa mesma parcela facilmente influenciável da população é justamente a parcela que se diz ser o contrário. São essas mesmas pessoas que discutem se Comunismo ou Capitalismo é melhor e se acham as revolucionárias por defenderem fortemente seus pontos de vista influenciados anteriormente por alguém.

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Fatos são fatos. Contra eles não existem discussões. Isso é um fato:

Atualmente, o governo investe cerca de 6% do PIB em educação. O governo brasileiro gasta em média 4 mil reais mensais com cada PRESIDIÁRIO, enquanto investe cerca de 1 mil reais mensais com ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS. O Brasil gasta 4 vezes mais com bandidos (ladrões, assassinos, estupradores) do que com estudantes que contribuem para o pregresso das ciências. Existe uma distância ainda maior quando comparados os gastos com presidiários e estudantes de ensino médio: o governo gasta 9 vezes mais com presidiários. O que houve com o velho chavão: “educação é a chave para o progresso”? Ele já foi usado inúmeras vezes por ministros, deputados e senadores no Brasil. Investir 6% do produto interno bruto em educação é mesmo um progresso. Países como a Austrália, que tem um dos menores índices de analfabetização do mundo (menos de 1% da população), gastam 7 vezes mais por aluno do que o Brasil. O Brasil tem mais de 10% da população analfabeta. Comparando os gastos do Brasil e da Austrália em educação, temos:

  • BRASIL (7º economia do mundo): 190 milhões de habitantes, PIB de 2 trilhões de dólares. Gasta 11,4 bilhões de dólares em educação (60 dólares gastos em educação / habitante).
  • AUSTRÁLIA (13º economia do mundo): 23 milhões de habitantes (12% da população brasileira), PIB de 1 trilhão de dólares (50% do PIB brasileiro). Gasta 10 bilhões de dólares em educação (435 dólares gastos em educação / habitante).

BRASIL, um país de contrariedades7º maior economia do mundo vs. 75º maior per capital do mundo vs. 95º maior taxa de alfabetização do mundo vs. 84º maior IDH do mundo vs. 5,6 no índice de Gini (indicador de desigualdades sociais medido de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre a população).

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É fácil ver onde está ‘enfiada’ toda essa “7ª maior economia do mundo”: em desigualdades na distribuição de renda entre a população. A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou, em 2010, que o Brasil só perdia para a Bolívia e para o Haiti na diferença entre ricos e pobres. Além disso, a ONU também afirmou que o Brasil possuía uma “baixa mobilidade social”. Esse modelo de vida norte americano que estamos conservando desde 1930 e que nos disse que deveríamos ser uma nação simpatizante ao Capitalismo (abuso na propriedade privada gera grandes diferenças sociais), agora nos rotula e critica como sendo um dos países com a maior taxa de desigualdade social do planeta? Existe, novamente, uma contrariedade nessa história.

O GOVERNO AINDA NÃO PERCEBEU QUE GASTAR 9 VEZES MAIS DINHEIRO EM SEGURANÇA DO QUE EM EDUCAÇÃO NÃO ESTÁ DANDO CERTO? O que mais vemos é falta de segurança nas ruas e até mesmo dentro de nossas casas. Não estamos seguros em lugar nenhum. O que pode fazer a diferença é difundir cultura e educação de verdade principalmente em regiões carentes do país, onde existe uma maior probabilidade de uma pessoa se tornar criminosa ao invés de um professor, por exemplo. Totalmente ausente de preconceitos.

Não deixo como conclusão para este post um incentivo às pessoas para que tenham voz ativa em assuntos políticos porque tenho certeza de que isso nunca aconteceria. As únicas coisas que peço são que, primeiramente, as pessoas não vejam a Política como algo chato ou inútil (como ocorre atualmente), mas como algo que foi base para o desenvolvimento da sociedade e que, sem ela, o mundo não seria como qual o conhecemos. E que, também, as pessoas não culpem completamente o governo por terem total falta de informação (é certo que o governo nos priva muito de uma boa educação) mas que ao invés de reclamarem sobre o sistema sem fazerem nada a respeito de buscarem uma melhora, que elas desliguem a TV da novela e vão ler um bom livro.

 

por Gabriel Zago

04 de maio de 2012

Nossas coisas são projetadas para nós ou para o lixo?

As coisas que compramos são feitas para serem descartadas em pouco tempo? É simples responder a essa pergunta. Basta apenas analisarmos quantas vezes em nossas vidas já compramos exatamente os mesmos itens em modelos diferentes.

O principal motivo que me levou a escrever essa coluna foi que comecei a perceber que a cada ano que se passava, eu comprava um novo celular. Eu não comprava um aparelho novo apenas para satisfazer minhas necessidades de auto-realização, mas comprava para atender a necessidade básica de que eu precisava de um celular para facilitar a minha vida diária. Notei que estava comprando um aparelho novo mais de uma vez por ano porque o anterior parava, por algum motivo, de funcionar corretamente. Se tornava obsoleto. Passei a notar que todas as coisas que eu comprava estavam se tornando lixo em uma velocidade cada vez maior.

As grandes empresas usam a beleza e a eficiência para nos convencer a comprar seus produtos. Quando isso não dá certo, elas nos mostram que “todo mundo tem o novo iPad e é ultrapassado quem ainda não o tem”. Comprar uma determinada marca pode se tornar um vício.

Nas sociedades em geral, a função do governo é de garantir os direitos fundamentais das pessoas. Não é o que ocorre. O que ocorre é que, atualmente, os governos se preocupam cada vez mais em garantir primeiramente os interesses das corporações globais. Ao listarmos as maiores economias do mundo, veremos que mais da metade delas são corporações! Elas não só parecem ser maiores que os governos, elas são maiores que os governos. É graças a elas que o papel do homem no planeta se limitou ao consumo.

O consumo é o coração do sistema econômico. Proteger e garantir o consumo se tornou prioridade do governo e das corporações. É do conhecimento de todos que a solução apresentada pelo governo americano para superar as crises de 2001 e 2008 era dizer as pessoas para consumirem. Sim, CONSUMIREM!

Tornamo-nos uma sociedade de consumidores. Até os anos 50, éramos avaliados pelo nosso ‘status’ social, que dava “valor” apenas às pessoas mais ricas da sociedade. Hoje, somos classificados de acordo com a nossa capacidade e frequência de consumo. Somos vistos como importantes pela sociedade apenas se consumimos ou contribuímos com a flexibilização do consumo. Consumir se tornou a principal atividade humana. Ter um produto moderno não nos satisfaz. O que nos satisfaz de verdade é irmos a uma loja escolher algo novo para levarmos para casa.

Existem pesquisas que afirmam que somos expostos, diariamente, a mais de 3000 propagandas. Vemos anualmente mais propaganda do que pessoas, há 60 anos atrás, viram em todas as suas vidas. O objetivo dessas propagandas? Garantir que continuemos a desempenhar o papel que a sociedade atual nos disse que devíamos fazer: trabalhar para consumir.

É um ciclo que, se não controlado, só termina no fim das nossas vidas. Trabalhamos o dia todo, chegamos cansados em casa e sentamos à frente de nossas TVs ultra modernas de LED e tela fina, vemos comerciais que nos dizem que “nosso cabelo está errado, nossa pela está errada, nossas roupas estão erradas, NÓS estamos errados; mas que tudo isso pode ser resolvido se formos às compras. Então vamos às compras para nos sentirmos melhor, depois trabalhamos para pagar o que compramos e chegamos em casa mais cansados, vemos mais televisão, que nos diz para fazermos compras outra vez. (…) É um ciclo de ‘trabalhar-ver-comprar’“. O que fazemos com os produtos que nunca paramos de comprar? Os descartamos e compramos novos. Muitas vezes exatamente iguais aos anteriores.

A principal revolução implementada pelo Neoliberalismo é a do consumo. As duas estratégias que vêem ganhando cada vez mais impacto na realidade econômica são a obsolência planejada e a obsolência perceptiva. Elas existem desde a década de 50 (progresso industrial). Na obsolência planejada (“criado para ir pro lixo”), as empresas criam produtos que de modo que esses se tornem inúteis o mais rápido possível para que os joguemos fora e voltemos a comprar. Na obsolência perceptiva, por sua vez, somos convencidos pela propaganda de que precisamos cada vez mais de coisas novas.

“Já reparou que quando compra um computador a tecnologia muda tão rapidamente que em poucos anos se torna quase um impedimento para a comunicação? Fiquei curiosa e abri um destes computadores para ver o que tinha dentro e descobri que a peça que se muda a cada ano é apenas um pecinha no canto. Mas não se pode mudar apenas essa peça porque cada nova versão tem um formato diferente. Tem que jogar tudo fora e comprar um novo! (…) A obsolência perceptiva nos convence a jogar fora coisas que ainda são perfeitamente úteis. Como fazem isso? Mudam a aparência das coisas. Por isso, se comprou suas coisas há alguns anos todos percebem que você não contribuiu para o consumo, o que pode ser embaraçoso. Por exemplo, se eu tiver o mesmo monitor de computador gordo e branco na minha mesa por 5 anos e a minha colega tiver comprado um computador novo, ela vai ter um monitor plano, brilhante, que combina com o computador, com o celular e até com as canetas. Ela parece estar operando uma nave espacial, e eu pareço que tenho uma máquina de lavar na mesa.”

LEONARD, Annie. The story of stuff. 2008. United States.

Temos cada vez mais coisas obsoletas que se tornam lixo em menos de 1 ano. Pensar sobre produtos que são projetados para irem ao lixo nos depara com uma estratégia de vendas. Produtos eletrônicos são cada vez mais difíceis de consertar e fáceis de quebrar. É cada vez mais comum que um produto novo seja mais barato do que consertar um produto antigo. Por que as empresas fazem isso? Para garantir que nós cumpramos nossa função consumista. Há cerca de 2 anos, comprei uma câmera digital Samsung que quebrou  9 meses depois. Fui até a assistência técnica da marca e o conserto ficava em 350 reais. Procurei na internet e vi que uma outra câmera Samsung que tinha exatamente as mesmas funções que a minha custava 400 reais! É um impedimento ao bom reuso?

Fazer as pessoas comprarem não só causa danos a seus bolsos, como também ao meio ambiente! Produtos eletrônicos são produzidos por partes em diversos lugares do mundo, o que é chamado de globalização da produção. Além disso, eles recebem diversos produtos químicos tóxicos (PVC, mercúrio, chumbo, solventes, CFCs, retardadores de chamas etc.) que prejudicam as pessoas que trabalham na linha de produção desses produtos, bem como quem os consome. Computadores, TVs, celulares; todos esses produtos liberam poluentes bem devagar enquanto os usamos. Mesmo parecendo limpa, a indústria de alta tecnologia é uma das indústrias mais poluidoras do mundo. Soube através de pesquisas em diversas fontes, que funcionários da IBM no Vale do Silício tinham 40% mais abortos e muito mais mortes por câncer no cérebro do que a média da população americana. Produção sustentável? Fica a critério do leitor.

Geralmente usamos um produto eletrônico por cerca de um ano, ou talvez muito menos, até que esse produto sofra “morte natural” e nos faça trocá-lo por outro. O produto que você tinha não quebrou de uma hora para outra, ele foi criado para durar pouco tempo!

Depois de descartados, os produtos são enviados à países em desenvolvimento (outro nome para países com baixa perspectiva de vida) para serem amontoados em montanhas de sucata eletrônica, ou pior, eles podem ser queimados e seus químicos tóxicos serão lançados à atmosfera. Toda a sociedade paga pela “externalização de custos”: trabalhadores pagam com a saúde, moradores pagam bebendo água poluída com partículas tóxicas invisíveis. A externalização de custos permite que as empresas continuem produzindo para o lixo, onde elas ficam com o lucro e todo o resto paga.

Existem leis de devolução de produtos surgindo em todos os cantos do planeta. Tudo depende do consumidor! Se forçarmos que as empresas melhorem seus produtos, quem sabe em um futuro próximo elas estejam concorrendo para criar produtos que durem mais e com menos poluentes? Nós devemos ser a mudança que queremos ver. Seria fácil apenas irmos às lojas e termos a opção de comprar produtos eletrônicos ecológicos, mas não temos, pois a nossa opção de escolha por produtos é limitada pelas escolhas de quem projeta o produto e pelo governo.

O que precisamos é de uma indústria de eletrônicos menos poluente e que seja feita para durar por mais tempo.

 

por Gabriel Zago

29 de abril de 2012

Existe um limite para o homem ser sociável?

Shibuya Crossing, Tóquio, Japão

Sociedade, para a sociologia, é um conjunto e a interação de pessoas com o objetivo de atingir um propósito em comum a fim de satisfazer as necessidades coletivas.

O homem sempre se disse um progressor, um detentor de conhecimento e um ser que está em constate mudança e desenvolvimento em ambos os aspectos das ciências humanas e da tecnologia. Até quando isso realmente ocorre?

Ao longo da história (deixando claro que o que chamo de história nada mais é do que a influência que as ações humanas deixaram no planeta ao longo do tempo em que o homem esteve inserido nele) foi possível para sociólogos e filósofos analisarem o comportamento humano e tentarem mapear através de precisas descrições as ações do homem como ser social. Foi dito então, que o homem era um ser social.

Vários sociólogos deixaram pesquisas de estudo e trabalho sobre como o homem agia dentro da sociedade. Para Émile Durkheim, o homem era um ser selvagem, que deixou de ser selvagem e se tornou humano quando se socializou. Para Rousseau, o homem era um ser puro e a sociedade o corrompeu. Foi o próprio homem quem criou a definição de sociedade, se próprio rotulou como um ser sociável e postulou o que era “certo” ou “errado” na sociedade criada por este. Quem veio primeiro disse o que deveria ser feito pelos posteriores.

Fatos sociais. A sociedade nos diz como devemos ser, nos sentir, nos comportar, o que fazer, como fazer. Isso é desenvolvimento (do ponto de vista ocidental). Agir conforme esses pré-requisitos é, do ponto de vista etnocêntrico, agir de acordo com a sociedade.

Fazer algo que não é considerado um tabu pela sociedade em que uma pessoa X vive a torna “normal” para esta sociedade ou apenas etnocêntrica? O que podemos dizer sobre quem criou o conceito de “Etnocentrismo”? Quem propôs o conceito foi uma pessoa que ao analisar um sistema social notou padrões aceitáveis para os indivíduos dessa sociedade e apenas os identificou. Quem tornou o conceito real foi um conjunto de pessoas que, com base na sua sociedade, julgou outras como inferiores.

A interação é fundamental para o bom processo de atingir um objetivo comum, porém nem sempre é a melhor opção. Quando se fala em conflitos de interesse, a interação é, na maioria dos casos ruim, pois gera danos. Respostas para interações conflitantes podem ser dominação (uma parte fica prejudicada e a outra consegue a materialização de seus interesses), conciliação (ambas as partes são favorecidas, porém existe grande chance de surgir outro conflito num futuro a curto prazo) ou integração (a razão do conflito é analisada e é proposta a melhor solução para favorecer as duas partes sem que exista a possibilidade de surgir outro conflito).

O homem se dedica tanto ao progresso e se prova cada vez mais difícil de ser sociável. Um exemplo claro é a vida nos maiores conglomerados urbanos do mundo. As grandes cidades são o grau máximo de progresso alcançado pelo homem, porém é fácil perceber que este se encontra cada vez mais difícil de se adaptar a ambientes com pessoas diferentes. Outro exemplo claro é visto na propriedade privada: os “feudos urbanos”, que são grandes condomínios (grandes em luxo e tamanho) exclusivos apenas para poucos. O homem está deixando suas raízes de homem social, homem que sempre interagiu com outros, para se tornar um indivíduo independente?

Deixando de lado todos os outros pontos de vista (dinheiro, doenças, trabalho, falta de tempo ou lazer etc.) e apenas analisando um homem como ser social, fica perceptível que cada vez mais aumenta o bloqueio do “ser sociável” humano.

O que deixo como conclusão deste post é: o homem deve sempre ser visto como um ser individual inserido em um grupo de vários seres individuais, com objetivos diferentes e vontades próprias. Um indivíduo independente nunca deve ser analisado como um todo (uma sociedade), mas sim como parte desta.

 

por Gabriel Zago

23 de abril de 2012