A energia que move o mundo

Na era da revolução verde, após o surgimento do termo “desenvolvimento sustentável” no final do século XX e, mais especificamente, no ano em que o Brasil sedia a conferência internacional de meio ambiente, Rio + 20, os assuntos energéticos vêm ganhando importante destaque, pois tratando de energia não renovável, os combustíveis fósseis, que são a atual matriz energética do planeta, são um dos principais responsáveis pela crescente poluição atmosférica e por alavancarem o aquecimento global.

 

 

A energia é um item primário para o desenvolvimento econômico de um país e é prioridade de todos os governos. Sem ela, nenhum setor econômico ou social, tais como indústrias ou cidades, funciona.

Nos tempos antigos, o homem utilizou fontes de energia para garantir seu próprio progresso, como o vento (para mover barcos) ou água (para mover moinhos), mas paralelamente à evolução tecnológica, ele buscou novas formas de produzir energia. Foi com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, que começou o uso da máquina a vapor e que, conseqüentemente, impulsionou a economia global dos séculos seguintes. A utilização em larga escala da máquina a vapor fez com que, pela primeira vez na história, o homem voltasse seus olhos às questões ambientais, pois foi somente a partir da 1ª Revolução Industrial que os níveis de poluição começaram a se tornar devastadores em progressão geométrica e, resultantemente, nos séculos seguintes, o aquecimento global começou a ser seriamente discutido.

Dentre os combustíveis fósseis (energia não renovável), o petróleo é mais empregado no planeta, pois garante maior rentabilidade na relação entre custo e benefício e, além disso, concentra grande quantidade energética em cadeias de carbono, que é capaz de gerar outros produtos, como gasolina, diesel e plásticos. De acordo com dados da IEA (International Energy Agency), em 2010, mais de 85% da energia mundial não era renovável, o que incluía petróleo e demasiados, gás natural, carvão mineral e energia nuclear. Chama-se de energia não renovável todas as formas finitas de fonte de energia.

 

Contrariedades do uso nuclear

 

Existem mais de 400 usinas nucleares no mundo, de acordo com a IAEA (International Atomic Energy Agency). A energia nuclear é uma alternativa, em termos de quantidade de energia produzida, extremamente rentável, porém gera graves danos ao meio ambiente. Para um país fazer uso de tal energia, é necessário alto investimento em tecnologia e, também, que ele possua jazidas de urânio. Após os desastres históricos de Chernobyl e Fukushima, países como a Alemanha, que possui atualmente 17 usinas, estão se comprometendo a substituir suas matrizes energéticas por outras fontes de energia, “energias limpas”. A energia nuclear causa sérios danos ao meio ambiente, pois seus resíduos emitirão radioatividade por centenas de anos após o descarte dos mesmos. Essa radiatividade é capaz de contaminar fontes de água, solo, animais, e até mesmo povoamentos localizados nas proximidades dessas usinas, o que pode resultar no desenvolvimento do câncer em humanos, má formação fetal, deficiências no sistema nervoso, anomalias e outros tipos de doenças.

Diferentemente da queima de combustíveis fósseis, as usinas nucleares não emitem dióxido de carbono diretamente, porém ao se considerar toda a cadeia de produção da energia, desde a extração do urânio até seu descarte, os níveis vão às alturas.

A energia nuclear, que é responsável por 6% da matriz energética global, será uma das principais pautas discutidas na Rio + 20, e serão analisadas novas formas de produção de energia afim de garantir o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza mundial.

 

Brasil: equilíbrio na matriz energética

 

O Brasil possui duas usinas nucleares, que contribuem com uma parcela não muito significativa da matriz, mas que causam danos ambientais irreparáveis. A matriz energética do Brasil é, majoritariamente, provinda do petróleo, mas outra principal fonte de energia é a energia hidrelétrica, que é considerada renovável, porém causa danos às florestas e populações ribeirinhas com o alagamento de rios. A matriz brasileira é bastante equilibrada, mas a maior parte da energia produzida ainda é resultado da queima de combustíveis fósseis. O Brasil tem aproximadamente 50% de energia renovável e 50% de energia não renovável em sua matriz, porém o ideal seria ter no mínimo 70% de energia limpa, e utópico seria ter 100%. A média mundial de matriz em energia renovável é de 14%, segundo a IEA.

Foi a partir dos anos 70, após a crise do petróleo, que a matriz energética do Brasil começou a se diversificar. Em 2007, o etanol se tornou o segunda fonte de energia mais utilizada no país, perdendo apenas para o petróleo. O Brasil também usa combustíveis vegetais para gerar energia, como a biomassa, e também faz uso de energia eólica.

 

 

É possível produzir energia sem comprometer o meio ambiente?

 

Para um desenvolvimento perceptivelmente sustentável é necessário que os governos repensem as matrizes energéticas e invistam em formas verdes de produção de energia, como solar, das marés ou até mesmo eólica, porém todas essas formas de energia têm seus prós e seus contras. A energia solar é altamente viável, pois o sol é uma fonte inesgotável de energia, porém é interrompida a noite ou em dias nublados. A energia eólica também é resultante do vento, outra fonte inesgotável de energia, porém pode gerar grande poluição visual, visto que para produzir uma quantidade considerável de energia são necessários muitos cata-ventos. A energia das marés é provinda do mar, fonte abundante de energia, porém sua produção é interrompida à medida que cessam as marés. O biogás pode substituir o petróleo e diminuir o lixo orgânico, porém é difícil de ser armazenado. Outros biocombustíveis (biodiesel, etanol, bioéter) podem substituir diretamente o petróleo e as enormes plantações de vegetais podem absorver o gás carbônico da atmosfera, porém esses vegetais ocupam áreas que poderiam ser destinadas ao plantio de alimentos.

Em suma, todas as formas de energia possuem prós e contras, entretanto é indiscutivelmente melhor, em termos de desenvolvimento sustentável, que existam interesses por parte do governo e de empresas privadas em investir em pesquisas sobre novas formas de produzir energia limpa sem comprometer o meio ambiente e garantindo eficiência energética para o progresso econômico e, primordialmente, caucionando a redução dos impactos ambientais já causados e em favor de gerar, no futuro, sociedades sustentáveis.

 

por Gabriel Zago

06 de junho de 2012