Existe um limite para o homem ser sociável?

Shibuya Crossing, Tóquio, Japão

Sociedade, para a sociologia, é um conjunto e a interação de pessoas com o objetivo de atingir um propósito em comum a fim de satisfazer as necessidades coletivas.

O homem sempre se disse um progressor, um detentor de conhecimento e um ser que está em constate mudança e desenvolvimento em ambos os aspectos das ciências humanas e da tecnologia. Até quando isso realmente ocorre?

Ao longo da história (deixando claro que o que chamo de história nada mais é do que a influência que as ações humanas deixaram no planeta ao longo do tempo em que o homem esteve inserido nele) foi possível para sociólogos e filósofos analisarem o comportamento humano e tentarem mapear através de precisas descrições as ações do homem como ser social. Foi dito então, que o homem era um ser social.

Vários sociólogos deixaram pesquisas de estudo e trabalho sobre como o homem agia dentro da sociedade. Para Émile Durkheim, o homem era um ser selvagem, que deixou de ser selvagem e se tornou humano quando se socializou. Para Rousseau, o homem era um ser puro e a sociedade o corrompeu. Foi o próprio homem quem criou a definição de sociedade, se próprio rotulou como um ser sociável e postulou o que era “certo” ou “errado” na sociedade criada por este. Quem veio primeiro disse o que deveria ser feito pelos posteriores.

Fatos sociais. A sociedade nos diz como devemos ser, nos sentir, nos comportar, o que fazer, como fazer. Isso é desenvolvimento (do ponto de vista ocidental). Agir conforme esses pré-requisitos é, do ponto de vista etnocêntrico, agir de acordo com a sociedade.

Fazer algo que não é considerado um tabu pela sociedade em que uma pessoa X vive a torna “normal” para esta sociedade ou apenas etnocêntrica? O que podemos dizer sobre quem criou o conceito de “Etnocentrismo”? Quem propôs o conceito foi uma pessoa que ao analisar um sistema social notou padrões aceitáveis para os indivíduos dessa sociedade e apenas os identificou. Quem tornou o conceito real foi um conjunto de pessoas que, com base na sua sociedade, julgou outras como inferiores.

A interação é fundamental para o bom processo de atingir um objetivo comum, porém nem sempre é a melhor opção. Quando se fala em conflitos de interesse, a interação é, na maioria dos casos ruim, pois gera danos. Respostas para interações conflitantes podem ser dominação (uma parte fica prejudicada e a outra consegue a materialização de seus interesses), conciliação (ambas as partes são favorecidas, porém existe grande chance de surgir outro conflito num futuro a curto prazo) ou integração (a razão do conflito é analisada e é proposta a melhor solução para favorecer as duas partes sem que exista a possibilidade de surgir outro conflito).

O homem se dedica tanto ao progresso e se prova cada vez mais difícil de ser sociável. Um exemplo claro é a vida nos maiores conglomerados urbanos do mundo. As grandes cidades são o grau máximo de progresso alcançado pelo homem, porém é fácil perceber que este se encontra cada vez mais difícil de se adaptar a ambientes com pessoas diferentes. Outro exemplo claro é visto na propriedade privada: os “feudos urbanos”, que são grandes condomínios (grandes em luxo e tamanho) exclusivos apenas para poucos. O homem está deixando suas raízes de homem social, homem que sempre interagiu com outros, para se tornar um indivíduo independente?

Deixando de lado todos os outros pontos de vista (dinheiro, doenças, trabalho, falta de tempo ou lazer etc.) e apenas analisando um homem como ser social, fica perceptível que cada vez mais aumenta o bloqueio do “ser sociável” humano.

O que deixo como conclusão deste post é: o homem deve sempre ser visto como um ser individual inserido em um grupo de vários seres individuais, com objetivos diferentes e vontades próprias. Um indivíduo independente nunca deve ser analisado como um todo (uma sociedade), mas sim como parte desta.

 

por Gabriel Zago

23 de abril de 2012

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