A energia que move o mundo

Na era da revolução verde, após o surgimento do termo “desenvolvimento sustentável” no final do século XX e, mais especificamente, no ano em que o Brasil sedia a conferência internacional de meio ambiente, Rio + 20, os assuntos energéticos vêm ganhando importante destaque, pois tratando de energia não renovável, os combustíveis fósseis, que são a atual matriz energética do planeta, são um dos principais responsáveis pela crescente poluição atmosférica e por alavancarem o aquecimento global.

 

 

A energia é um item primário para o desenvolvimento econômico de um país e é prioridade de todos os governos. Sem ela, nenhum setor econômico ou social, tais como indústrias ou cidades, funciona.

Nos tempos antigos, o homem utilizou fontes de energia para garantir seu próprio progresso, como o vento (para mover barcos) ou água (para mover moinhos), mas paralelamente à evolução tecnológica, ele buscou novas formas de produzir energia. Foi com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, que começou o uso da máquina a vapor e que, conseqüentemente, impulsionou a economia global dos séculos seguintes. A utilização em larga escala da máquina a vapor fez com que, pela primeira vez na história, o homem voltasse seus olhos às questões ambientais, pois foi somente a partir da 1ª Revolução Industrial que os níveis de poluição começaram a se tornar devastadores em progressão geométrica e, resultantemente, nos séculos seguintes, o aquecimento global começou a ser seriamente discutido.

Dentre os combustíveis fósseis (energia não renovável), o petróleo é mais empregado no planeta, pois garante maior rentabilidade na relação entre custo e benefício e, além disso, concentra grande quantidade energética em cadeias de carbono, que é capaz de gerar outros produtos, como gasolina, diesel e plásticos. De acordo com dados da IEA (International Energy Agency), em 2010, mais de 85% da energia mundial não era renovável, o que incluía petróleo e demasiados, gás natural, carvão mineral e energia nuclear. Chama-se de energia não renovável todas as formas finitas de fonte de energia.

 

Contrariedades do uso nuclear

 

Existem mais de 400 usinas nucleares no mundo, de acordo com a IAEA (International Atomic Energy Agency). A energia nuclear é uma alternativa, em termos de quantidade de energia produzida, extremamente rentável, porém gera graves danos ao meio ambiente. Para um país fazer uso de tal energia, é necessário alto investimento em tecnologia e, também, que ele possua jazidas de urânio. Após os desastres históricos de Chernobyl e Fukushima, países como a Alemanha, que possui atualmente 17 usinas, estão se comprometendo a substituir suas matrizes energéticas por outras fontes de energia, “energias limpas”. A energia nuclear causa sérios danos ao meio ambiente, pois seus resíduos emitirão radioatividade por centenas de anos após o descarte dos mesmos. Essa radiatividade é capaz de contaminar fontes de água, solo, animais, e até mesmo povoamentos localizados nas proximidades dessas usinas, o que pode resultar no desenvolvimento do câncer em humanos, má formação fetal, deficiências no sistema nervoso, anomalias e outros tipos de doenças.

Diferentemente da queima de combustíveis fósseis, as usinas nucleares não emitem dióxido de carbono diretamente, porém ao se considerar toda a cadeia de produção da energia, desde a extração do urânio até seu descarte, os níveis vão às alturas.

A energia nuclear, que é responsável por 6% da matriz energética global, será uma das principais pautas discutidas na Rio + 20, e serão analisadas novas formas de produção de energia afim de garantir o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza mundial.

 

Brasil: equilíbrio na matriz energética

 

O Brasil possui duas usinas nucleares, que contribuem com uma parcela não muito significativa da matriz, mas que causam danos ambientais irreparáveis. A matriz energética do Brasil é, majoritariamente, provinda do petróleo, mas outra principal fonte de energia é a energia hidrelétrica, que é considerada renovável, porém causa danos às florestas e populações ribeirinhas com o alagamento de rios. A matriz brasileira é bastante equilibrada, mas a maior parte da energia produzida ainda é resultado da queima de combustíveis fósseis. O Brasil tem aproximadamente 50% de energia renovável e 50% de energia não renovável em sua matriz, porém o ideal seria ter no mínimo 70% de energia limpa, e utópico seria ter 100%. A média mundial de matriz em energia renovável é de 14%, segundo a IEA.

Foi a partir dos anos 70, após a crise do petróleo, que a matriz energética do Brasil começou a se diversificar. Em 2007, o etanol se tornou o segunda fonte de energia mais utilizada no país, perdendo apenas para o petróleo. O Brasil também usa combustíveis vegetais para gerar energia, como a biomassa, e também faz uso de energia eólica.

 

 

É possível produzir energia sem comprometer o meio ambiente?

 

Para um desenvolvimento perceptivelmente sustentável é necessário que os governos repensem as matrizes energéticas e invistam em formas verdes de produção de energia, como solar, das marés ou até mesmo eólica, porém todas essas formas de energia têm seus prós e seus contras. A energia solar é altamente viável, pois o sol é uma fonte inesgotável de energia, porém é interrompida a noite ou em dias nublados. A energia eólica também é resultante do vento, outra fonte inesgotável de energia, porém pode gerar grande poluição visual, visto que para produzir uma quantidade considerável de energia são necessários muitos cata-ventos. A energia das marés é provinda do mar, fonte abundante de energia, porém sua produção é interrompida à medida que cessam as marés. O biogás pode substituir o petróleo e diminuir o lixo orgânico, porém é difícil de ser armazenado. Outros biocombustíveis (biodiesel, etanol, bioéter) podem substituir diretamente o petróleo e as enormes plantações de vegetais podem absorver o gás carbônico da atmosfera, porém esses vegetais ocupam áreas que poderiam ser destinadas ao plantio de alimentos.

Em suma, todas as formas de energia possuem prós e contras, entretanto é indiscutivelmente melhor, em termos de desenvolvimento sustentável, que existam interesses por parte do governo e de empresas privadas em investir em pesquisas sobre novas formas de produzir energia limpa sem comprometer o meio ambiente e garantindo eficiência energética para o progresso econômico e, primordialmente, caucionando a redução dos impactos ambientais já causados e em favor de gerar, no futuro, sociedades sustentáveis.

 

por Gabriel Zago

06 de junho de 2012

Consumismo VS. Satisfação

Estamos cada vez menos dedicando nosso tempo ao que realmente importa ou nos motiva. Tornamo-nos uma sociedade de consumidores, no qual trabalhamos para exercer nosso principal papel no mundo contemporâneo: consumir.

Consumimos tanto, porém nossos índices de felicidade estão cada vez mais baixos. Trabalhamos e recebemos nosso salário, que simplesmente desaparece enquanto estamos cercados de bens supérfluos. O objetivo principal de tanto trabalho é o consumo. Mas qual o verdadeiro sentido do consumo?

Gastamos tanto tempo comprando ou sendo bombardeados por propagandas que o tempo gasto com isso sobrepõe o tempo de sono.

Ao analisar a influência que marcas globais exercem no consumidor, percebe-se que a maioria das pessoas vive para elas. A chamada “paixão por marcas” está ganhando campo na sociedade do consumo. Ocorre que as marcas globais estão investindo cada vez mais no estudo das emoções dos consumidores. Investir na valorização das emoções é um grande passo, visto que é um instrumento chave no processo de tomada de decisão.

O Marketing possui um papel estratégico nesse contexto, pois é o responsável pelo desenvolvimento e pela implementação de estratégias de mercado que são inteiramente fundamentadas na análise subjetiva do consumidor. A eficácia da avaliação das decisões do consumidor depende da especificidade do efeito produzido pelos elementos de oferta, por exemplo, um determinado anúncio na televisão. O Marketing trabalha a melhor forma de um determinado anúncio afetar de maneira suscetível o processo de tomada de decisão. Foi nesse contexto de análise comportamental e decisória que surgiu o Neuromarketing. O Neuromarketing tem como um dos focos a emoção, que é indiscutivelmente decisiva para a tomada de decisão. No âmbito emocional, encontra-se a motivação e o interesse, que são igualmente eficientes tratando-se de decisões. Em suma, antes de tomar uma decisão, o indivíduo avalia o quão importante essa decisão será de seu interesse e, ao mesmo tempo, tratando-se de motivação, quão recompensadora será essa decisão. O ser humano tem uma aversão natural aos riscos, o que faz com que ele sempre garanta uma ponderação maior a decisões menos arriscadas. Esse foi apenas um mapeamento breve da influência do Neuromarketing no processo de tomada de decisão.

O Neuromarketing prova que a emoção é um dos principais fatores para tomar determinada decisão, o que nos leva à premissa da paixão de um indivíduo por uma determinada marca. As pessoas escolhem de forma consciente baseadas em inclinações inconscientes (a emoção é um exemplo). Está se tornando cada vez mais comum marcas globais tomarem o uso de propagandas que fazem apelos emocionais (paixão, suspense, amor, adrenalina) para fazer as pessoas consumirem, o que resulta em uma questão bastante polêmica sobre a ética do uso da propaganda para fazer as pessoas comprarem determinados produtos.

No panorama do Marketing, o objetivo chave do consumo é garantir uma breve sensação de satisfação e realização pessoal. Quando essa sensação acaba, consumimos novamente. É um ciclo. O papel da propaganda é agilizar esse ciclo para que consumamos mais em um menor espaço de tempo, nos dizendo que produtos que acabamos de comprar já se tornaram obsoletos, mesmo com grande parte deles se encontrando em perfeito estado de utilização. Além de implantarem idéias em nossas mentes de que precisamos consumir, as empresas produzem produtos feitos para durarem pouco tempo. Isso explica porque passamos de muito entusiasmados com um novo celular para indiferentes com o mesmo celular poucas horas após sua compra.

Quando não estamos consumindo, estamos guardando nosso dinheiro para atividades de lazer, porque acreditamos que elas serão prazerosas a longo prazo, coisa que o consumo não é capaz de nos oferecer, ou então estamos sentados em frente à TV assistindo alguma bobagem: consumindo produtos ou consumindo idéias.

O que é capaz de nos motivar em longo prazo? Já fora mais do que provado de acordo com pesquisas e, principalmente, por experiências individuais, que o consumo não é capaz de fazê-lo. A felicidade resultante de uma pessoa motivada é individual e distinta entre diferentes pessoas. Existem pessoas que podem se sentir motivadas por reconhecimento, por crenças religiosas, por ajudar outras pessoas ou até mesmo por serem simplesmente elogiadas. Sociólogos da Escola das Relações Humanas, como por exemplo, Simon, Maslow, Weber, McGregor e Herzberg, concordam nesse aspecto.

 

Por Gabriel Zago

28 de maio de 2012

Referências: Neurociência e Neuromarketing, Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo

Voto de cabresto no século XXI?

Voto de cabresto é o nome dado a uma forma tradicional de controle político que ocorreu no Brasil no século XX. Ele teve como características principais a compra de votos, o abuso das autoridades no poder e a utilização da máquina pública em larga escala nas eleições. O nome “cabresto” faz alusão à uma espécie de correia utilizada na cabeça de animais ungulados (cavalos, burros, éguas) para amarrá-los ou dirigi-los. Era exatamente o que ocorria com o eleitorado na época do coronelismo.

Os coronéis abusavam de sua autoridade para controlar as eleições dentro de seu “curral eleitoral”. Eles controlavam a população de acordo com seus interesses. Garantiam que a população votasse somente nos candidatos indicados por eles.

 

Século XX, Brasil

 

Século XXI: Democracia? O direito de decisão está realmente nas mãos do povo? Quem vive em países liberais no século XXI tem o direito de escolher em quem votar, certo? O direito as pessoas até têm, porém nem sempre elas votam sem receber influências externas.

Vivemos em uma era onde diferenças religiosas e políticas são dominantes em escala global e geram polêmicas discussões. Os votos hoje em dia são tão controlados quanto eram no passado? É claro que as eleições no Brasil de hoje não são fraudadas como ocorria antigamente, mas elas são explicitamente influenciadas indiretamente pela mídia e por outros meios de comunicação.

Jornais, revistas, canais de televisão, programas de TV, atores e escritores estão cada vez mais influenciando as pessoas em decisões políticas. Não adianta um canal de televisão promover um debate às vésperas de uma eleição, sendo que após esse debate ele favorecerá um determinado candidato em notícias positivas e até mesmo pelo uso de blogs ou comunidades.

Não é o governo quem quer pessoas ignorantes para poder controlá-las, é uma grande parte da mídia. Fica fácil fazer com que alguém vote em um determinado candidato apenas por citar suas benfeitorias em uma novela que 70% da população (sem senso crítico) assiste e se deixa influenciar por lindas e ‘barraqueiras’ atrizes e então copia o que elas fazem na vida real. Essa mesma parcela facilmente influenciável da população é justamente a parcela que se diz ser o contrário. São essas mesmas pessoas que discutem se Comunismo ou Capitalismo é melhor e se acham as revolucionárias por defenderem fortemente seus pontos de vista influenciados anteriormente por alguém.

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Fatos são fatos. Contra eles não existem discussões. Isso é um fato:

Atualmente, o governo investe cerca de 6% do PIB em educação. O governo brasileiro gasta em média 4 mil reais mensais com cada PRESIDIÁRIO, enquanto investe cerca de 1 mil reais mensais com ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS. O Brasil gasta 4 vezes mais com bandidos (ladrões, assassinos, estupradores) do que com estudantes que contribuem para o pregresso das ciências. Existe uma distância ainda maior quando comparados os gastos com presidiários e estudantes de ensino médio: o governo gasta 9 vezes mais com presidiários. O que houve com o velho chavão: “educação é a chave para o progresso”? Ele já foi usado inúmeras vezes por ministros, deputados e senadores no Brasil. Investir 6% do produto interno bruto em educação é mesmo um progresso. Países como a Austrália, que tem um dos menores índices de analfabetização do mundo (menos de 1% da população), gastam 7 vezes mais por aluno do que o Brasil. O Brasil tem mais de 10% da população analfabeta. Comparando os gastos do Brasil e da Austrália em educação, temos:

  • BRASIL (7º economia do mundo): 190 milhões de habitantes, PIB de 2 trilhões de dólares. Gasta 11,4 bilhões de dólares em educação (60 dólares gastos em educação / habitante).
  • AUSTRÁLIA (13º economia do mundo): 23 milhões de habitantes (12% da população brasileira), PIB de 1 trilhão de dólares (50% do PIB brasileiro). Gasta 10 bilhões de dólares em educação (435 dólares gastos em educação / habitante).

BRASIL, um país de contrariedades7º maior economia do mundo vs. 75º maior per capital do mundo vs. 95º maior taxa de alfabetização do mundo vs. 84º maior IDH do mundo vs. 5,6 no índice de Gini (indicador de desigualdades sociais medido de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre a população).

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É fácil ver onde está ‘enfiada’ toda essa “7ª maior economia do mundo”: em desigualdades na distribuição de renda entre a população. A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou, em 2010, que o Brasil só perdia para a Bolívia e para o Haiti na diferença entre ricos e pobres. Além disso, a ONU também afirmou que o Brasil possuía uma “baixa mobilidade social”. Esse modelo de vida norte americano que estamos conservando desde 1930 e que nos disse que deveríamos ser uma nação simpatizante ao Capitalismo (abuso na propriedade privada gera grandes diferenças sociais), agora nos rotula e critica como sendo um dos países com a maior taxa de desigualdade social do planeta? Existe, novamente, uma contrariedade nessa história.

O GOVERNO AINDA NÃO PERCEBEU QUE GASTAR 9 VEZES MAIS DINHEIRO EM SEGURANÇA DO QUE EM EDUCAÇÃO NÃO ESTÁ DANDO CERTO? O que mais vemos é falta de segurança nas ruas e até mesmo dentro de nossas casas. Não estamos seguros em lugar nenhum. O que pode fazer a diferença é difundir cultura e educação de verdade principalmente em regiões carentes do país, onde existe uma maior probabilidade de uma pessoa se tornar criminosa ao invés de um professor, por exemplo. Totalmente ausente de preconceitos.

Não deixo como conclusão para este post um incentivo às pessoas para que tenham voz ativa em assuntos políticos porque tenho certeza de que isso nunca aconteceria. As únicas coisas que peço são que, primeiramente, as pessoas não vejam a Política como algo chato ou inútil (como ocorre atualmente), mas como algo que foi base para o desenvolvimento da sociedade e que, sem ela, o mundo não seria como qual o conhecemos. E que, também, as pessoas não culpem completamente o governo por terem total falta de informação (é certo que o governo nos priva muito de uma boa educação) mas que ao invés de reclamarem sobre o sistema sem fazerem nada a respeito de buscarem uma melhora, que elas desliguem a TV da novela e vão ler um bom livro.

 

por Gabriel Zago

04 de maio de 2012

Nossas coisas são projetadas para nós ou para o lixo?

As coisas que compramos são feitas para serem descartadas em pouco tempo? É simples responder a essa pergunta. Basta apenas analisarmos quantas vezes em nossas vidas já compramos exatamente os mesmos itens em modelos diferentes.

O principal motivo que me levou a escrever essa coluna foi que comecei a perceber que a cada ano que se passava, eu comprava um novo celular. Eu não comprava um aparelho novo apenas para satisfazer minhas necessidades de auto-realização, mas comprava para atender a necessidade básica de que eu precisava de um celular para facilitar a minha vida diária. Notei que estava comprando um aparelho novo mais de uma vez por ano porque o anterior parava, por algum motivo, de funcionar corretamente. Se tornava obsoleto. Passei a notar que todas as coisas que eu comprava estavam se tornando lixo em uma velocidade cada vez maior.

As grandes empresas usam a beleza e a eficiência para nos convencer a comprar seus produtos. Quando isso não dá certo, elas nos mostram que “todo mundo tem o novo iPad e é ultrapassado quem ainda não o tem”. Comprar uma determinada marca pode se tornar um vício.

Nas sociedades em geral, a função do governo é de garantir os direitos fundamentais das pessoas. Não é o que ocorre. O que ocorre é que, atualmente, os governos se preocupam cada vez mais em garantir primeiramente os interesses das corporações globais. Ao listarmos as maiores economias do mundo, veremos que mais da metade delas são corporações! Elas não só parecem ser maiores que os governos, elas são maiores que os governos. É graças a elas que o papel do homem no planeta se limitou ao consumo.

O consumo é o coração do sistema econômico. Proteger e garantir o consumo se tornou prioridade do governo e das corporações. É do conhecimento de todos que a solução apresentada pelo governo americano para superar as crises de 2001 e 2008 era dizer as pessoas para consumirem. Sim, CONSUMIREM!

Tornamo-nos uma sociedade de consumidores. Até os anos 50, éramos avaliados pelo nosso ‘status’ social, que dava “valor” apenas às pessoas mais ricas da sociedade. Hoje, somos classificados de acordo com a nossa capacidade e frequência de consumo. Somos vistos como importantes pela sociedade apenas se consumimos ou contribuímos com a flexibilização do consumo. Consumir se tornou a principal atividade humana. Ter um produto moderno não nos satisfaz. O que nos satisfaz de verdade é irmos a uma loja escolher algo novo para levarmos para casa.

Existem pesquisas que afirmam que somos expostos, diariamente, a mais de 3000 propagandas. Vemos anualmente mais propaganda do que pessoas, há 60 anos atrás, viram em todas as suas vidas. O objetivo dessas propagandas? Garantir que continuemos a desempenhar o papel que a sociedade atual nos disse que devíamos fazer: trabalhar para consumir.

É um ciclo que, se não controlado, só termina no fim das nossas vidas. Trabalhamos o dia todo, chegamos cansados em casa e sentamos à frente de nossas TVs ultra modernas de LED e tela fina, vemos comerciais que nos dizem que “nosso cabelo está errado, nossa pela está errada, nossas roupas estão erradas, NÓS estamos errados; mas que tudo isso pode ser resolvido se formos às compras. Então vamos às compras para nos sentirmos melhor, depois trabalhamos para pagar o que compramos e chegamos em casa mais cansados, vemos mais televisão, que nos diz para fazermos compras outra vez. (…) É um ciclo de ‘trabalhar-ver-comprar’“. O que fazemos com os produtos que nunca paramos de comprar? Os descartamos e compramos novos. Muitas vezes exatamente iguais aos anteriores.

A principal revolução implementada pelo Neoliberalismo é a do consumo. As duas estratégias que vêem ganhando cada vez mais impacto na realidade econômica são a obsolência planejada e a obsolência perceptiva. Elas existem desde a década de 50 (progresso industrial). Na obsolência planejada (“criado para ir pro lixo”), as empresas criam produtos que de modo que esses se tornem inúteis o mais rápido possível para que os joguemos fora e voltemos a comprar. Na obsolência perceptiva, por sua vez, somos convencidos pela propaganda de que precisamos cada vez mais de coisas novas.

“Já reparou que quando compra um computador a tecnologia muda tão rapidamente que em poucos anos se torna quase um impedimento para a comunicação? Fiquei curiosa e abri um destes computadores para ver o que tinha dentro e descobri que a peça que se muda a cada ano é apenas um pecinha no canto. Mas não se pode mudar apenas essa peça porque cada nova versão tem um formato diferente. Tem que jogar tudo fora e comprar um novo! (…) A obsolência perceptiva nos convence a jogar fora coisas que ainda são perfeitamente úteis. Como fazem isso? Mudam a aparência das coisas. Por isso, se comprou suas coisas há alguns anos todos percebem que você não contribuiu para o consumo, o que pode ser embaraçoso. Por exemplo, se eu tiver o mesmo monitor de computador gordo e branco na minha mesa por 5 anos e a minha colega tiver comprado um computador novo, ela vai ter um monitor plano, brilhante, que combina com o computador, com o celular e até com as canetas. Ela parece estar operando uma nave espacial, e eu pareço que tenho uma máquina de lavar na mesa.”

LEONARD, Annie. The story of stuff. 2008. United States.

Temos cada vez mais coisas obsoletas que se tornam lixo em menos de 1 ano. Pensar sobre produtos que são projetados para irem ao lixo nos depara com uma estratégia de vendas. Produtos eletrônicos são cada vez mais difíceis de consertar e fáceis de quebrar. É cada vez mais comum que um produto novo seja mais barato do que consertar um produto antigo. Por que as empresas fazem isso? Para garantir que nós cumpramos nossa função consumista. Há cerca de 2 anos, comprei uma câmera digital Samsung que quebrou  9 meses depois. Fui até a assistência técnica da marca e o conserto ficava em 350 reais. Procurei na internet e vi que uma outra câmera Samsung que tinha exatamente as mesmas funções que a minha custava 400 reais! É um impedimento ao bom reuso?

Fazer as pessoas comprarem não só causa danos a seus bolsos, como também ao meio ambiente! Produtos eletrônicos são produzidos por partes em diversos lugares do mundo, o que é chamado de globalização da produção. Além disso, eles recebem diversos produtos químicos tóxicos (PVC, mercúrio, chumbo, solventes, CFCs, retardadores de chamas etc.) que prejudicam as pessoas que trabalham na linha de produção desses produtos, bem como quem os consome. Computadores, TVs, celulares; todos esses produtos liberam poluentes bem devagar enquanto os usamos. Mesmo parecendo limpa, a indústria de alta tecnologia é uma das indústrias mais poluidoras do mundo. Soube através de pesquisas em diversas fontes, que funcionários da IBM no Vale do Silício tinham 40% mais abortos e muito mais mortes por câncer no cérebro do que a média da população americana. Produção sustentável? Fica a critério do leitor.

Geralmente usamos um produto eletrônico por cerca de um ano, ou talvez muito menos, até que esse produto sofra “morte natural” e nos faça trocá-lo por outro. O produto que você tinha não quebrou de uma hora para outra, ele foi criado para durar pouco tempo!

Depois de descartados, os produtos são enviados à países em desenvolvimento (outro nome para países com baixa perspectiva de vida) para serem amontoados em montanhas de sucata eletrônica, ou pior, eles podem ser queimados e seus químicos tóxicos serão lançados à atmosfera. Toda a sociedade paga pela “externalização de custos”: trabalhadores pagam com a saúde, moradores pagam bebendo água poluída com partículas tóxicas invisíveis. A externalização de custos permite que as empresas continuem produzindo para o lixo, onde elas ficam com o lucro e todo o resto paga.

Existem leis de devolução de produtos surgindo em todos os cantos do planeta. Tudo depende do consumidor! Se forçarmos que as empresas melhorem seus produtos, quem sabe em um futuro próximo elas estejam concorrendo para criar produtos que durem mais e com menos poluentes? Nós devemos ser a mudança que queremos ver. Seria fácil apenas irmos às lojas e termos a opção de comprar produtos eletrônicos ecológicos, mas não temos, pois a nossa opção de escolha por produtos é limitada pelas escolhas de quem projeta o produto e pelo governo.

O que precisamos é de uma indústria de eletrônicos menos poluente e que seja feita para durar por mais tempo.

 

por Gabriel Zago

29 de abril de 2012

Existe um limite para o homem ser sociável?

Shibuya Crossing, Tóquio, Japão

Sociedade, para a sociologia, é um conjunto e a interação de pessoas com o objetivo de atingir um propósito em comum a fim de satisfazer as necessidades coletivas.

O homem sempre se disse um progressor, um detentor de conhecimento e um ser que está em constate mudança e desenvolvimento em ambos os aspectos das ciências humanas e da tecnologia. Até quando isso realmente ocorre?

Ao longo da história (deixando claro que o que chamo de história nada mais é do que a influência que as ações humanas deixaram no planeta ao longo do tempo em que o homem esteve inserido nele) foi possível para sociólogos e filósofos analisarem o comportamento humano e tentarem mapear através de precisas descrições as ações do homem como ser social. Foi dito então, que o homem era um ser social.

Vários sociólogos deixaram pesquisas de estudo e trabalho sobre como o homem agia dentro da sociedade. Para Émile Durkheim, o homem era um ser selvagem, que deixou de ser selvagem e se tornou humano quando se socializou. Para Rousseau, o homem era um ser puro e a sociedade o corrompeu. Foi o próprio homem quem criou a definição de sociedade, se próprio rotulou como um ser sociável e postulou o que era “certo” ou “errado” na sociedade criada por este. Quem veio primeiro disse o que deveria ser feito pelos posteriores.

Fatos sociais. A sociedade nos diz como devemos ser, nos sentir, nos comportar, o que fazer, como fazer. Isso é desenvolvimento (do ponto de vista ocidental). Agir conforme esses pré-requisitos é, do ponto de vista etnocêntrico, agir de acordo com a sociedade.

Fazer algo que não é considerado um tabu pela sociedade em que uma pessoa X vive a torna “normal” para esta sociedade ou apenas etnocêntrica? O que podemos dizer sobre quem criou o conceito de “Etnocentrismo”? Quem propôs o conceito foi uma pessoa que ao analisar um sistema social notou padrões aceitáveis para os indivíduos dessa sociedade e apenas os identificou. Quem tornou o conceito real foi um conjunto de pessoas que, com base na sua sociedade, julgou outras como inferiores.

A interação é fundamental para o bom processo de atingir um objetivo comum, porém nem sempre é a melhor opção. Quando se fala em conflitos de interesse, a interação é, na maioria dos casos ruim, pois gera danos. Respostas para interações conflitantes podem ser dominação (uma parte fica prejudicada e a outra consegue a materialização de seus interesses), conciliação (ambas as partes são favorecidas, porém existe grande chance de surgir outro conflito num futuro a curto prazo) ou integração (a razão do conflito é analisada e é proposta a melhor solução para favorecer as duas partes sem que exista a possibilidade de surgir outro conflito).

O homem se dedica tanto ao progresso e se prova cada vez mais difícil de ser sociável. Um exemplo claro é a vida nos maiores conglomerados urbanos do mundo. As grandes cidades são o grau máximo de progresso alcançado pelo homem, porém é fácil perceber que este se encontra cada vez mais difícil de se adaptar a ambientes com pessoas diferentes. Outro exemplo claro é visto na propriedade privada: os “feudos urbanos”, que são grandes condomínios (grandes em luxo e tamanho) exclusivos apenas para poucos. O homem está deixando suas raízes de homem social, homem que sempre interagiu com outros, para se tornar um indivíduo independente?

Deixando de lado todos os outros pontos de vista (dinheiro, doenças, trabalho, falta de tempo ou lazer etc.) e apenas analisando um homem como ser social, fica perceptível que cada vez mais aumenta o bloqueio do “ser sociável” humano.

O que deixo como conclusão deste post é: o homem deve sempre ser visto como um ser individual inserido em um grupo de vários seres individuais, com objetivos diferentes e vontades próprias. Um indivíduo independente nunca deve ser analisado como um todo (uma sociedade), mas sim como parte desta.

 

por Gabriel Zago

23 de abril de 2012