Era dos compartilhamentos?

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Na transição da Idade Média para a Idade Moderna especulava-se que o homem, até então, atingira seu auge de perfeição, desenvolvimento científico e social; pois era impossível maior desenvolvimento para os viventes de tal época.

O progresso alçado na Idade Contemporânea mostrou que o homem nunca para de se desenvolver, tanto quanto animal, como ser social; a não ser que seja impedido. Aquilo onde vivemos hoje é resultado da combinação de diversos fatos e influências de tudo o que deixamos para trás pela construção da história humana. Porém, aquilo que somos hoje prova não ser resultado da busca incessante por conhecimento provinda do passado. Em outras palavras, é afirmável que os ensaios de grandes períodos históricos de evolução, descobrimento, inovação e invenção, fizeram com que a sociedade atual atingisse elevados níveis de sofisticação e tecnologia; porém é atestado que mesmo convivente a tamanha admirável tecnológica e perfeição na interação social, o homem contemporâneo não dispõe de proporcional grau de intelectualidade.

Desenvolvimento gera melhoras, correto? Deveria estar correto. Atingimos o grau máximo de esplêndida tecnologia, o que era de se esperar depois de 50 mil anos de existência do homem moderno (para a Biologia) disponíveis para desenvolver, mas os níveis gerais de inteligência não cresceram no mesmo ritmo. Moldamos os padrões e estruturas tecnológicas que não têm mais como serem melhorados. Uma coisa ou outra pode mudar, mas o “grosso” da tecnologia já se aperfeiçoou ao máximo. É certo que hoje temos outra visão de mundo, porém tratando de conhecimento bruto, quem vivia na Idade Média tinha mais conhecimento do que quem vive nos dias de hoje, incluindo a dificuldade de acesso ao mesmo da Idade Média. Talvez as pessoas que viviam na Idade Média era mais inteligentes do que as que vivem hoje por conta da dificuldade de acesso à informação; o que despertou maior interesse… Com a internet, hoje é possível a existência de milhares de Einsteins pelo mundo, porém muitas das pessoas com padrões de compreensão e atenção elevados (que seriam extraordinários se conservados e estimulados) desperdiçam a maior parte de seu tempo compartilhando opiniões iniciadas por outras em redes sociais, sendo que poderiam estar criando suas próprias opiniões e difundindo-as com outros pensantes.

O homem, além de alienado pela mídia, não é mais capaz de ter suas próprias idéias. A internet, a mídia e os governos o fazem acreditar que ele é pensante. As pessoas não criam mais o ponto de partida para algum ideal, elas compartilham idéias existentes, pré-definidas ou feitas por outras pessoas.

Uma pesquisa divulgada, em 2010 pelo Instituto Nielsen do Brasil, diz que mais de 85% dos brasileiros acessam redes sociais. Quase 1 bilhão de pessoas no mundo acessam o Facebook. 500 milhões usam o Twitter (incluindo apenas  contas ativas). Somando Orkut, MySpace e Badoo, o número de usuários globais atinge consideráveis 240 milhões. Também em 2010, foi divulgado que apenas 25% da população mundial tinha acesso à computadores (1,5 bilhão de pessoas para a população da época). Destes, mais de 80% usam redes sociais.

A pluralidade de pessoas que usa redes sociais é tão elevada que altera a capacidade delas de se expressar sem receber influências. O vocabulário das pessoas também diminuiu. Além de não terem mais opiniões próprias, os viventes de hoje compartilham até mesmo um simples “bom dia” no Facebook. Ao analisar a “linha do tempo” de publicações no Facebook em seu horário mais agitado (entre 19 e 21hs), notei que das 50 primeiras atualizações que contei, 44 eram compartilhamentos de fotos, frases, vídeos, aplicativos e outras coisas. Quer tirar sua conclusão? Olhe a página inicial do Facebook e conte quantos compartilhamentos você vê. Novamente: ninguém mais publica opiniões próprias, visto que é mais fácil “curtir” as que estão disponíveis e “compartilhar” as consideradas interessantes por esta população com baixo vocabulário e desinteresse em leitura.

É verdadeiramente lamentável que depois de tanto progresso feito por conjuntos de pessoas pioneiras em toda a história, vivamos e caminhamos em direção, cada vez mais acelerada, ao regresso social, ao iletrismo e à insciência.

Mobilização!

 

por Gabriel Zago

23 de agosto de 2012

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Uma resposta para “Era dos compartilhamentos?

  1. A internet foi criada para facilitar a busca de conhecimento, mas está muito claro que a maioria dos brasileiros ainda não está pronta para usar uma ferramenta tão importante. Além de espalhar muitas informações inúteis, estão criando um verdadeiro lixão virtual que só atrapalha quem se interessa em apender.

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