Por que a mídia não fala sobre a greve nas universidades federais?

Os 3 meses de greve das instituições federais se tornam cada vez mais invisíveis. Enquanto os assuntos mais comentados da mídia brasileira atingem uma população desinteressada por Educação (sim, totalmente desinteressada por Educação) e que prefere saber sobre Olimpíadas ou sobre a vida pessoal de pessoas famosas, mais de 50 universidades e institutos federais permanecem em greve e sem nenhum aparente avanço nas negociações.

 

Por que a Globo não fala sobre a greve dos professores das universidades federais?

 

A realidade mostra que mais de 90% da população não sabe que 80% das universidades do país estão em greve, mas sabe de cor todas as falas de uma novela disseminadora de pessoas sem opinião, brutas, vulgares, vingativas e cada vez mais fúteis e estúpidas.

Ao invés de exclamarem a necessidade de revolta populacional por conta da educação precária, ironicamente é muito mais fácil as pessoas ficarem no conforto de seus queridos lares sem perderem um capítulo de uma novela irrisória e que não pode oferecer nada a elas, salvo de pessoas cada vez mais ignorantes e que têm TODA a sua educação provinda da televisão.

 

 

Não chega a 15% o número de brasileiros que têm diploma universitario, cursam ou cursarão o ensino superior em até 3 anos. Mas os números são ainda mais críticos quando mostrados que destes mesmos 15%, quase 40% não dominam as necessidades básicas de leitura e escrita e outros 40% tiveram ou terão um ensino superior de qualidade ruim a regular. Dos 20% que se escapam dessa verdade, que equivalem a pouco mais de 5 milhões de pessoas, quase 80% vieram de universidades públicas. Status atual das universidades públicas: greve que ultrapassa 3 meses e sem previsão para retorno, visto que ”o Ministério da Educação anunciou o encerramento das negociações, pois a Copa do Mundo se encontra em previlégio agora”.

 

O vídeo abaixo mostra as promessas de Dilma Rousseff relacionadas a Educação antes das eleições, porém a realidade diz que seu governo está caminhando no sentido oposto ao que antes pregava:

DILMA ROUSSEFF: “Se não houver pagamento digno para professor, não há valorização pela sociedade da profissão de professor. Então, não há como, no Brasil, se fazer qualidade da educação sem pagar bem o professor. Nós começamos fazendo o piso nacional do magistério e elevando o salário para R$1.024. É pouco? É pouco. Porque o professor pra ser valorizado, ele precisa de ganhar bem. E mais: ele precisa de ter formação continuada. Não se pode, também, estabelecer com o professor uma relação de atrito quando o professor pede melhores salários, recebê-los com cassetetes ou interromper o diálogo.O diálogo é fundamental no respeito a essa profissão. E o Brasil só irá sair de uma situação de país emergente pra uma situação de país desenvolvido se a gente assegurar qualidade de educação pra nossos filhos e pra nossas crianças. Então, pra gente falar em creche, pra gente falar em educação básica, ensino fundamental, nós precisamos ter professores bem formados e ter professores bem pagos. Aí, a sua filha vai ficar orgulhosa; seus filhos vão ficar orgulhosos: ‘olha, eu sou professora e sou reconhecida socialmente’. Por isso que eu farei da campanha pra pagamento de salários dos professores uma das questões fundamentais do meu governo. Pagar bem o professor é o grande desafio que nós temos nos próximos anos pra além de qualquer outra coisa…”

 

 

O Andes (sindicato da greve) afirma que a situação está tão crítica nas universidades federais que até chega a faltar papel higiênico nos banheiros dos campi. O governo Dilma, que antes tinha como maior interesse a Educação, mostra estar longe da meta anterior à campanha provando que a realidade é outra.

Os instrumentos de comunicação como a TV aberta, que predomina em quase 70% dos domicílios que possuem aparelho de televisão no país (96% dos domicílios brasileiros possuem aparelho de televisão de acordo com dados da National Geographic Society) não comentam absolutamente nada a respeito da greve dos docentes das universidades federais porque a maioria dos canais abertos é aliada ao governo federal e está impedida de manchar sua imagem de “Brasil, um país para todos”. Além dos canais aliados, existem os não-aliados, aqueles que DIZEM pregar o jornalismo sério que SEMPRE explicita todos os lados das informações; mas apenas dizem.

 

 

As pessoas que não sabem o que realmente ocorre por trás das imagens falsas e obscuras que a mídia sazonalmente expõe dizem que os professores são gananciosos ao lutarem por melhores salários (a média de sálario da PM é maior que a média federal dos docentes) e que os sindicatos “só servem para atrapalhar”. Mas estas pessoas não sabem que os seus antepassados lutaram desde 1930 pelo direto da democracia e que o direito de greve foi uma das maiores conquistas democráticas depois do Regime Militar e que sem a presença dos sindicatos nada seria como tal é hoje. Essa fluência de informações abstratas e distorcidas que circulam na boca do povo, vêm da falta de interesse deles em saber o que realmente ocorre. “O limite da ignorância é quando alguém opina sobre algo sem saber nada a respeito do que está falando”.

É inequívoco e indiscutível que a mídia quer pessoas estultas para ter facilidade em manejá-las. É inconveniente para a imprensa evidenciar manifestações em prol de uma melhor educação superior porque estaria fugindo de seu encargo perante o governo em mostrar a insatisfação das pessoas com a gestão. Além do mais, se a população exige ensino superior de qualidade, não seria do interesse da mídia mostrar que isso ocorre, pois assim ela perderia as pessoas estúpidas que assistem a sujidade de seus programas de fim de domingo e a frivolidade de suas novelas de horário nobre.

 

 

Para demonstrar que realmente prega jornalismo, a mídia fala pouco sobre a greve das universidades nos jornais e na internet, porém majoritariamente quem lê jornais e utiliza a internet para bons fins são justamente as pessoas desconvencidas pela mídia, o que não leva a nada, pois o alvo central para a diminuição dos níveis de ignorância das população fica mais longe de ser alcançado porque quem realmente precisa saber da ineficiência do governo apenas têm acesso a TV aberta; que foi exposto anteriormente seus interesses. Quando a mídia raramente comenta sobre a greve, fala que os grevistas são vândalos, mas não mostra o porquê das manifestações.  Os caminhoneiros, cuja greve não dura 2 semanas foram visivelmente mais comentados do que a greve docente, ganhando capas de revistas alienadoras, páginas principais de jornais, além de teasers demorados em telejornais.

Há vários lutantes na internet exigindo da mídia uma transparência de assuntos como esses, porém esses gritos de democracia não estão alcançando o efeito desejado. Falta uma mídia transparente e inteiramente voltada em levar a verdade desprovida de interesses às pessoas. Isso sim é jornalismo.

 

 

 

O que falta ao povo, e provado por esta coluna que também ao governo, é entender que progresso não são cidades desenvolvidas, não é todos terem casa ou carro próprios, não é polícia nas ruas, não é emprego para todos, mas sim EDUCAÇÃO. É possível dizer com a maior convicção do mundo que isso é progresso. Educação é progresso. Uma vez de qualidade, se transforma em progresso. E uma vez alcançada uma excelente Educação, não existe regresso; diferentemente de outras esferas políticas e econômicas.

Mas sobra dizer que o resultado das inúmeras manifestações e a pouca informação sobres estas só levou, em 3 meses, ao fortalecimento da idéia da divisão e da inferioridade, visto que o governo federal ignora por completo a greve docente federal.

 

por Gabriel Zago

13 de agosto de 2012

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5 Respostas para “Por que a mídia não fala sobre a greve nas universidades federais?

  1. Então, adorei o texto, Sou estudante de Letras e concordo com muito do que você diz, porém devo corrigir, que a midia geral a exemplo da globo não esta do lado do governo federal, se tivesse porque estão falando tanto de mesanlão(petista), A verdade caro gabriel é que o governo está ótimo, poré alguns grupos da direita estão fazendo de tudo para impedir o progresso e por a culpa no governo, chamo-te para estudar esta opção de que estou lhe falando, Tudo de ruim que aconteçe no Brasil é culpa da direita, e ja que prega que devemos ficar espertos para o que diz na mídia te proponho o mesmo, va pesquisar mais para intender sobre as alianças politicas do pós ditadura e a criação do partido dos trabalhadores, para entender melhor a situação e enriquecer ainda mais seu texto que está ótimo!
    Abraços companheiro, estou nessa contigo vamos lutar junto por um jornalismo mais sério democrático e comprometido com o “saber”, ja que a verdade varia de pessoa para pessoa! hahah, abraços

    • Caro Tiago,

      Primeiramente, obrigado pelo comentário bastante persuasivo no meu blog. Embora o objetivo central da coluna é apresentar as relações entre ensino superior e seu descaso pelo jornalismo, além de números que comprovam, pela sua leitura fica bastante claro que tudo é uma questão política. É uma questão política porque é considerável que a mídia é um instrumento político. Em nenhum momento da coluna, fiz a menção de qualquer partido político, porém fiz o uso de charges e montagens criadas pelo público, além de um discurso da atual chefe do Executivo antes das eleições de 2010. Em outras palavras, não citei nenhum partido majoritário em número de eleitores, tanto de direita como de esquerda, apenas tomei como exemplo a presidente porque é ela quem é a chefe do Executivo e a reguladora de várias esferas sociais, como a questão do Ensino Superior e da greve que ocorreu há alguns meses.

      Sobre as relações da esquerda e direita que você expôs em seu comentário, o PT teve um surgimento independente daqueles partidos contra e a favor do Regime Militar (independente no sentido de não se aproximar da Arena e do MDB). Ele se iniciou como partido de esquerda, porém, por suas propostas nos dias de hoje, é claramente observável que o partido oscila entre o centro e a esquerda, sendo um partido de centro-esquerda, ou até mesmo, considerado por muitos críticos, de centro.

      Sobre o escândalo do mensalão, é algo que não pode ser ignorado, por isso tanta repercussão. É mostrando coisas como tal que os canais de TV aberta dizem que se isentam em favorecimentos políticos e defendem o jornalismo sério.

      O fato de você afirmar que a mídia, em específico a Rede Globo, apóia a direita é histórico. A Globo foi a alavanca que colocou Fernando Collor de Melo (PRN) no poder na primeira eleição direta do pós Regime e hoje as pessoas afirmam que ela favorece as campanhas do PSDB sobre outros partidos, porém o que ocorre é que é a Globo (assistida por mais de 80 milhões de brasileiros, de acordo com seus próprios dados) quem decide o poder; justamente pela quantidade de pessoas que aceitam suas proposições. Você acha mesmo que o que houve nas eleições de 2002, quando o PSDB (centro-direita) deu lugar ao PT (centro-esquerda) no comando do Executivo, foi uma revolução da esquerda? O fato é que se a Globo apoiasse tanto a direita, como você afirmou, você acha mesmo que o Luís Inácio Lula da Silva teria ganho as eleições depois de o governo ter se dado sempre por partidos de centro-direita? E se reelegido 4 anos depois? E colocado uma mulher do seu mesmo partido no poder 8 anos depois?
      Sobre o colocado por você de a centro-direita querer derrubar a centro-esquerda, vale-se pelas coligações, no qual TODOS os partidos querem um pedaço do poder. Essa é a finalidade de um sistema político multipartidário. (Fernando Limongi e Argelina C. Figueiredo – UFMG)

      Espero ter esclarecido muito sobre seu comentário e te convido a sempre visitar meu blog para, como você mesmo escreveu, “lutarmos por um jornalismo mais sério e democrático”.

      Atenciosamente,

      Gabriel Zago

      • É gabriel, porém o PT não foi tão indepedente assim na sua ascenção, eles se aliaram com uma parte da elite que estava insatisfeita com outra, e esta fez a esperteza de se associar ao trabalhadores que na época estavam causando reboliço numa serié de estado. Olha só o brasil quase oligaquico que você vive, você acredita mesmo que o PT ia ascender independentemente, num país pós ditadura, onde fhc pretendia fazer um joguete para iniciar seu terceiro mandato ? claro que não né!, bem sabemos que um partido de trabalhadores num país pós ditadura onde a burguesia industrial e empresarial controlam tudo nunca se elegeriam INDEPENDENTES! rsrs, então eu sinceramente gosto muito do lula da dilma, não creio que o Dirceu seja esse criminoso todo, porém essas são opiniões minha e não tem valor nessa discussão, o que tem valor é que, sim a mídia tem feito um grande complô contra o único partido que se mostrou enteressado em alavancar o país para o povo e não só para os ricos e para abrir as porta do país ao capital extrangeiro, lógico que nem tudo é perfeito, temos sim muitos problemas, porém isso tudo é um jogo de interesses, o PT não pode sair simplesmente beneficiando o povo em tudo, sendo que o lobby das elites é sempre muito forte, na verdade acho que o PT “tenta fazer uma otima mediação entre povo e elite. Lógico que não estou nem um pouco satisfeito com isso, acho que o governo deve ser do povo e para o povo, porém enquanto nosso povo continua alienadçardo estamos a mercê de cair em uma privatização elitista psdbista, e enquanto isso eu sinceramente prefiro o governo atual. Porém vamos lutar! e vamos sim, e jornalismo alternativo é realmente uma ótima forma de se fazer isso, acho que se cada um abraçar uma causa, contruiremos um futuro igual para todos.

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