Era dos compartilhamentos?

Facebook

 

Na transição da Idade Média para a Idade Moderna especulava-se que o homem, até então, atingira seu auge de perfeição, desenvolvimento científico e social; pois era impossível maior desenvolvimento para os viventes de tal época.

O progresso alçado na Idade Contemporânea mostrou que o homem nunca para de se desenvolver, tanto quanto animal, como ser social; a não ser que seja impedido. Aquilo onde vivemos hoje é resultado da combinação de diversos fatos e influências de tudo o que deixamos para trás pela construção da história humana. Porém, aquilo que somos hoje prova não ser resultado da busca incessante por conhecimento provinda do passado. Em outras palavras, é afirmável que os ensaios de grandes períodos históricos de evolução, descobrimento, inovação e invenção, fizeram com que a sociedade atual atingisse elevados níveis de sofisticação e tecnologia; porém é atestado que mesmo convivente a tamanha admirável tecnológica e perfeição na interação social, o homem contemporâneo não dispõe de proporcional grau de intelectualidade.

Desenvolvimento gera melhoras, correto? Deveria estar correto. Atingimos o grau máximo de esplêndida tecnologia, o que era de se esperar depois de 50 mil anos de existência do homem moderno (para a Biologia) disponíveis para desenvolver, mas os níveis gerais de inteligência não cresceram no mesmo ritmo. Moldamos os padrões e estruturas tecnológicas que não têm mais como serem melhorados. Uma coisa ou outra pode mudar, mas o “grosso” da tecnologia já se aperfeiçoou ao máximo. É certo que hoje temos outra visão de mundo, porém tratando de conhecimento bruto, quem vivia na Idade Média tinha mais conhecimento do que quem vive nos dias de hoje, incluindo a dificuldade de acesso ao mesmo da Idade Média. Talvez as pessoas que viviam na Idade Média era mais inteligentes do que as que vivem hoje por conta da dificuldade de acesso à informação; o que despertou maior interesse… Com a internet, hoje é possível a existência de milhares de Einsteins pelo mundo, porém muitas das pessoas com padrões de compreensão e atenção elevados (que seriam extraordinários se conservados e estimulados) desperdiçam a maior parte de seu tempo compartilhando opiniões iniciadas por outras em redes sociais, sendo que poderiam estar criando suas próprias opiniões e difundindo-as com outros pensantes.

O homem, além de alienado pela mídia, não é mais capaz de ter suas próprias idéias. A internet, a mídia e os governos o fazem acreditar que ele é pensante. As pessoas não criam mais o ponto de partida para algum ideal, elas compartilham idéias existentes, pré-definidas ou feitas por outras pessoas.

Uma pesquisa divulgada, em 2010 pelo Instituto Nielsen do Brasil, diz que mais de 85% dos brasileiros acessam redes sociais. Quase 1 bilhão de pessoas no mundo acessam o Facebook. 500 milhões usam o Twitter (incluindo apenas  contas ativas). Somando Orkut, MySpace e Badoo, o número de usuários globais atinge consideráveis 240 milhões. Também em 2010, foi divulgado que apenas 25% da população mundial tinha acesso à computadores (1,5 bilhão de pessoas para a população da época). Destes, mais de 80% usam redes sociais.

A pluralidade de pessoas que usa redes sociais é tão elevada que altera a capacidade delas de se expressar sem receber influências. O vocabulário das pessoas também diminuiu. Além de não terem mais opiniões próprias, os viventes de hoje compartilham até mesmo um simples “bom dia” no Facebook. Ao analisar a “linha do tempo” de publicações no Facebook em seu horário mais agitado (entre 19 e 21hs), notei que das 50 primeiras atualizações que contei, 44 eram compartilhamentos de fotos, frases, vídeos, aplicativos e outras coisas. Quer tirar sua conclusão? Olhe a página inicial do Facebook e conte quantos compartilhamentos você vê. Novamente: ninguém mais publica opiniões próprias, visto que é mais fácil “curtir” as que estão disponíveis e “compartilhar” as consideradas interessantes por esta população com baixo vocabulário e desinteresse em leitura.

É verdadeiramente lamentável que depois de tanto progresso feito por conjuntos de pessoas pioneiras em toda a história, vivamos e caminhamos em direção, cada vez mais acelerada, ao regresso social, ao iletrismo e à insciência.

Mobilização!

 

por Gabriel Zago

23 de agosto de 2012

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ENQUETE #2: Cotas nas universidades federais

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ENQUETE #1: Greve dos docentes federais

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Por que a mídia não fala sobre a greve nas universidades federais?

Os 3 meses de greve das instituições federais se tornam cada vez mais invisíveis. Enquanto os assuntos mais comentados da mídia brasileira atingem uma população desinteressada por Educação (sim, totalmente desinteressada por Educação) e que prefere saber sobre Olimpíadas ou sobre a vida pessoal de pessoas famosas, mais de 50 universidades e institutos federais permanecem em greve e sem nenhum aparente avanço nas negociações.

 

Por que a Globo não fala sobre a greve dos professores das universidades federais?

 

A realidade mostra que mais de 90% da população não sabe que 80% das universidades do país estão em greve, mas sabe de cor todas as falas de uma novela disseminadora de pessoas sem opinião, brutas, vulgares, vingativas e cada vez mais fúteis e estúpidas.

Ao invés de exclamarem a necessidade de revolta populacional por conta da educação precária, ironicamente é muito mais fácil as pessoas ficarem no conforto de seus queridos lares sem perderem um capítulo de uma novela irrisória e que não pode oferecer nada a elas, salvo de pessoas cada vez mais ignorantes e que têm TODA a sua educação provinda da televisão.

 

 

Não chega a 15% o número de brasileiros que têm diploma universitario, cursam ou cursarão o ensino superior em até 3 anos. Mas os números são ainda mais críticos quando mostrados que destes mesmos 15%, quase 40% não dominam as necessidades básicas de leitura e escrita e outros 40% tiveram ou terão um ensino superior de qualidade ruim a regular. Dos 20% que se escapam dessa verdade, que equivalem a pouco mais de 5 milhões de pessoas, quase 80% vieram de universidades públicas. Status atual das universidades públicas: greve que ultrapassa 3 meses e sem previsão para retorno, visto que ”o Ministério da Educação anunciou o encerramento das negociações, pois a Copa do Mundo se encontra em previlégio agora”.

 

O vídeo abaixo mostra as promessas de Dilma Rousseff relacionadas a Educação antes das eleições, porém a realidade diz que seu governo está caminhando no sentido oposto ao que antes pregava:

DILMA ROUSSEFF: “Se não houver pagamento digno para professor, não há valorização pela sociedade da profissão de professor. Então, não há como, no Brasil, se fazer qualidade da educação sem pagar bem o professor. Nós começamos fazendo o piso nacional do magistério e elevando o salário para R$1.024. É pouco? É pouco. Porque o professor pra ser valorizado, ele precisa de ganhar bem. E mais: ele precisa de ter formação continuada. Não se pode, também, estabelecer com o professor uma relação de atrito quando o professor pede melhores salários, recebê-los com cassetetes ou interromper o diálogo.O diálogo é fundamental no respeito a essa profissão. E o Brasil só irá sair de uma situação de país emergente pra uma situação de país desenvolvido se a gente assegurar qualidade de educação pra nossos filhos e pra nossas crianças. Então, pra gente falar em creche, pra gente falar em educação básica, ensino fundamental, nós precisamos ter professores bem formados e ter professores bem pagos. Aí, a sua filha vai ficar orgulhosa; seus filhos vão ficar orgulhosos: ‘olha, eu sou professora e sou reconhecida socialmente’. Por isso que eu farei da campanha pra pagamento de salários dos professores uma das questões fundamentais do meu governo. Pagar bem o professor é o grande desafio que nós temos nos próximos anos pra além de qualquer outra coisa…”

 

 

O Andes (sindicato da greve) afirma que a situação está tão crítica nas universidades federais que até chega a faltar papel higiênico nos banheiros dos campi. O governo Dilma, que antes tinha como maior interesse a Educação, mostra estar longe da meta anterior à campanha provando que a realidade é outra.

Os instrumentos de comunicação como a TV aberta, que predomina em quase 70% dos domicílios que possuem aparelho de televisão no país (96% dos domicílios brasileiros possuem aparelho de televisão de acordo com dados da National Geographic Society) não comentam absolutamente nada a respeito da greve dos docentes das universidades federais porque a maioria dos canais abertos é aliada ao governo federal e está impedida de manchar sua imagem de “Brasil, um país para todos”. Além dos canais aliados, existem os não-aliados, aqueles que DIZEM pregar o jornalismo sério que SEMPRE explicita todos os lados das informações; mas apenas dizem.

 

 

As pessoas que não sabem o que realmente ocorre por trás das imagens falsas e obscuras que a mídia sazonalmente expõe dizem que os professores são gananciosos ao lutarem por melhores salários (a média de sálario da PM é maior que a média federal dos docentes) e que os sindicatos “só servem para atrapalhar”. Mas estas pessoas não sabem que os seus antepassados lutaram desde 1930 pelo direto da democracia e que o direito de greve foi uma das maiores conquistas democráticas depois do Regime Militar e que sem a presença dos sindicatos nada seria como tal é hoje. Essa fluência de informações abstratas e distorcidas que circulam na boca do povo, vêm da falta de interesse deles em saber o que realmente ocorre. “O limite da ignorância é quando alguém opina sobre algo sem saber nada a respeito do que está falando”.

É inequívoco e indiscutível que a mídia quer pessoas estultas para ter facilidade em manejá-las. É inconveniente para a imprensa evidenciar manifestações em prol de uma melhor educação superior porque estaria fugindo de seu encargo perante o governo em mostrar a insatisfação das pessoas com a gestão. Além do mais, se a população exige ensino superior de qualidade, não seria do interesse da mídia mostrar que isso ocorre, pois assim ela perderia as pessoas estúpidas que assistem a sujidade de seus programas de fim de domingo e a frivolidade de suas novelas de horário nobre.

 

 

Para demonstrar que realmente prega jornalismo, a mídia fala pouco sobre a greve das universidades nos jornais e na internet, porém majoritariamente quem lê jornais e utiliza a internet para bons fins são justamente as pessoas desconvencidas pela mídia, o que não leva a nada, pois o alvo central para a diminuição dos níveis de ignorância das população fica mais longe de ser alcançado porque quem realmente precisa saber da ineficiência do governo apenas têm acesso a TV aberta; que foi exposto anteriormente seus interesses. Quando a mídia raramente comenta sobre a greve, fala que os grevistas são vândalos, mas não mostra o porquê das manifestações.  Os caminhoneiros, cuja greve não dura 2 semanas foram visivelmente mais comentados do que a greve docente, ganhando capas de revistas alienadoras, páginas principais de jornais, além de teasers demorados em telejornais.

Há vários lutantes na internet exigindo da mídia uma transparência de assuntos como esses, porém esses gritos de democracia não estão alcançando o efeito desejado. Falta uma mídia transparente e inteiramente voltada em levar a verdade desprovida de interesses às pessoas. Isso sim é jornalismo.

 

 

 

O que falta ao povo, e provado por esta coluna que também ao governo, é entender que progresso não são cidades desenvolvidas, não é todos terem casa ou carro próprios, não é polícia nas ruas, não é emprego para todos, mas sim EDUCAÇÃO. É possível dizer com a maior convicção do mundo que isso é progresso. Educação é progresso. Uma vez de qualidade, se transforma em progresso. E uma vez alcançada uma excelente Educação, não existe regresso; diferentemente de outras esferas políticas e econômicas.

Mas sobra dizer que o resultado das inúmeras manifestações e a pouca informação sobres estas só levou, em 3 meses, ao fortalecimento da idéia da divisão e da inferioridade, visto que o governo federal ignora por completo a greve docente federal.

 

por Gabriel Zago

13 de agosto de 2012