Consumismo VS. Satisfação

Estamos cada vez menos dedicando nosso tempo ao que realmente importa ou nos motiva. Tornamo-nos uma sociedade de consumidores, no qual trabalhamos para exercer nosso principal papel no mundo contemporâneo: consumir.

Consumimos tanto, porém nossos índices de felicidade estão cada vez mais baixos. Trabalhamos e recebemos nosso salário, que simplesmente desaparece enquanto estamos cercados de bens supérfluos. O objetivo principal de tanto trabalho é o consumo. Mas qual o verdadeiro sentido do consumo?

Gastamos tanto tempo comprando ou sendo bombardeados por propagandas que o tempo gasto com isso sobrepõe o tempo de sono.

Ao analisar a influência que marcas globais exercem no consumidor, percebe-se que a maioria das pessoas vive para elas. A chamada “paixão por marcas” está ganhando campo na sociedade do consumo. Ocorre que as marcas globais estão investindo cada vez mais no estudo das emoções dos consumidores. Investir na valorização das emoções é um grande passo, visto que é um instrumento chave no processo de tomada de decisão.

O Marketing possui um papel estratégico nesse contexto, pois é o responsável pelo desenvolvimento e pela implementação de estratégias de mercado que são inteiramente fundamentadas na análise subjetiva do consumidor. A eficácia da avaliação das decisões do consumidor depende da especificidade do efeito produzido pelos elementos de oferta, por exemplo, um determinado anúncio na televisão. O Marketing trabalha a melhor forma de um determinado anúncio afetar de maneira suscetível o processo de tomada de decisão. Foi nesse contexto de análise comportamental e decisória que surgiu o Neuromarketing. O Neuromarketing tem como um dos focos a emoção, que é indiscutivelmente decisiva para a tomada de decisão. No âmbito emocional, encontra-se a motivação e o interesse, que são igualmente eficientes tratando-se de decisões. Em suma, antes de tomar uma decisão, o indivíduo avalia o quão importante essa decisão será de seu interesse e, ao mesmo tempo, tratando-se de motivação, quão recompensadora será essa decisão. O ser humano tem uma aversão natural aos riscos, o que faz com que ele sempre garanta uma ponderação maior a decisões menos arriscadas. Esse foi apenas um mapeamento breve da influência do Neuromarketing no processo de tomada de decisão.

O Neuromarketing prova que a emoção é um dos principais fatores para tomar determinada decisão, o que nos leva à premissa da paixão de um indivíduo por uma determinada marca. As pessoas escolhem de forma consciente baseadas em inclinações inconscientes (a emoção é um exemplo). Está se tornando cada vez mais comum marcas globais tomarem o uso de propagandas que fazem apelos emocionais (paixão, suspense, amor, adrenalina) para fazer as pessoas consumirem, o que resulta em uma questão bastante polêmica sobre a ética do uso da propaganda para fazer as pessoas comprarem determinados produtos.

No panorama do Marketing, o objetivo chave do consumo é garantir uma breve sensação de satisfação e realização pessoal. Quando essa sensação acaba, consumimos novamente. É um ciclo. O papel da propaganda é agilizar esse ciclo para que consumamos mais em um menor espaço de tempo, nos dizendo que produtos que acabamos de comprar já se tornaram obsoletos, mesmo com grande parte deles se encontrando em perfeito estado de utilização. Além de implantarem idéias em nossas mentes de que precisamos consumir, as empresas produzem produtos feitos para durarem pouco tempo. Isso explica porque passamos de muito entusiasmados com um novo celular para indiferentes com o mesmo celular poucas horas após sua compra.

Quando não estamos consumindo, estamos guardando nosso dinheiro para atividades de lazer, porque acreditamos que elas serão prazerosas a longo prazo, coisa que o consumo não é capaz de nos oferecer, ou então estamos sentados em frente à TV assistindo alguma bobagem: consumindo produtos ou consumindo idéias.

O que é capaz de nos motivar em longo prazo? Já fora mais do que provado de acordo com pesquisas e, principalmente, por experiências individuais, que o consumo não é capaz de fazê-lo. A felicidade resultante de uma pessoa motivada é individual e distinta entre diferentes pessoas. Existem pessoas que podem se sentir motivadas por reconhecimento, por crenças religiosas, por ajudar outras pessoas ou até mesmo por serem simplesmente elogiadas. Sociólogos da Escola das Relações Humanas, como por exemplo, Simon, Maslow, Weber, McGregor e Herzberg, concordam nesse aspecto.

 

Por Gabriel Zago

28 de maio de 2012

Referências: Neurociência e Neuromarketing, Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo

Voto de cabresto no século XXI?

Voto de cabresto é o nome dado a uma forma tradicional de controle político que ocorreu no Brasil no século XX. Ele teve como características principais a compra de votos, o abuso das autoridades no poder e a utilização da máquina pública em larga escala nas eleições. O nome “cabresto” faz alusão à uma espécie de correia utilizada na cabeça de animais ungulados (cavalos, burros, éguas) para amarrá-los ou dirigi-los. Era exatamente o que ocorria com o eleitorado na época do coronelismo.

Os coronéis abusavam de sua autoridade para controlar as eleições dentro de seu “curral eleitoral”. Eles controlavam a população de acordo com seus interesses. Garantiam que a população votasse somente nos candidatos indicados por eles.

 

Século XX, Brasil

 

Século XXI: Democracia? O direito de decisão está realmente nas mãos do povo? Quem vive em países liberais no século XXI tem o direito de escolher em quem votar, certo? O direito as pessoas até têm, porém nem sempre elas votam sem receber influências externas.

Vivemos em uma era onde diferenças religiosas e políticas são dominantes em escala global e geram polêmicas discussões. Os votos hoje em dia são tão controlados quanto eram no passado? É claro que as eleições no Brasil de hoje não são fraudadas como ocorria antigamente, mas elas são explicitamente influenciadas indiretamente pela mídia e por outros meios de comunicação.

Jornais, revistas, canais de televisão, programas de TV, atores e escritores estão cada vez mais influenciando as pessoas em decisões políticas. Não adianta um canal de televisão promover um debate às vésperas de uma eleição, sendo que após esse debate ele favorecerá um determinado candidato em notícias positivas e até mesmo pelo uso de blogs ou comunidades.

Não é o governo quem quer pessoas ignorantes para poder controlá-las, é uma grande parte da mídia. Fica fácil fazer com que alguém vote em um determinado candidato apenas por citar suas benfeitorias em uma novela que 70% da população (sem senso crítico) assiste e se deixa influenciar por lindas e ‘barraqueiras’ atrizes e então copia o que elas fazem na vida real. Essa mesma parcela facilmente influenciável da população é justamente a parcela que se diz ser o contrário. São essas mesmas pessoas que discutem se Comunismo ou Capitalismo é melhor e se acham as revolucionárias por defenderem fortemente seus pontos de vista influenciados anteriormente por alguém.

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Fatos são fatos. Contra eles não existem discussões. Isso é um fato:

Atualmente, o governo investe cerca de 6% do PIB em educação. O governo brasileiro gasta em média 4 mil reais mensais com cada PRESIDIÁRIO, enquanto investe cerca de 1 mil reais mensais com ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS. O Brasil gasta 4 vezes mais com bandidos (ladrões, assassinos, estupradores) do que com estudantes que contribuem para o pregresso das ciências. Existe uma distância ainda maior quando comparados os gastos com presidiários e estudantes de ensino médio: o governo gasta 9 vezes mais com presidiários. O que houve com o velho chavão: “educação é a chave para o progresso”? Ele já foi usado inúmeras vezes por ministros, deputados e senadores no Brasil. Investir 6% do produto interno bruto em educação é mesmo um progresso. Países como a Austrália, que tem um dos menores índices de analfabetização do mundo (menos de 1% da população), gastam 7 vezes mais por aluno do que o Brasil. O Brasil tem mais de 10% da população analfabeta. Comparando os gastos do Brasil e da Austrália em educação, temos:

  • BRASIL (7º economia do mundo): 190 milhões de habitantes, PIB de 2 trilhões de dólares. Gasta 11,4 bilhões de dólares em educação (60 dólares gastos em educação / habitante).
  • AUSTRÁLIA (13º economia do mundo): 23 milhões de habitantes (12% da população brasileira), PIB de 1 trilhão de dólares (50% do PIB brasileiro). Gasta 10 bilhões de dólares em educação (435 dólares gastos em educação / habitante).

BRASIL, um país de contrariedades7º maior economia do mundo vs. 75º maior per capital do mundo vs. 95º maior taxa de alfabetização do mundo vs. 84º maior IDH do mundo vs. 5,6 no índice de Gini (indicador de desigualdades sociais medido de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre a população).

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É fácil ver onde está ‘enfiada’ toda essa “7ª maior economia do mundo”: em desigualdades na distribuição de renda entre a população. A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou, em 2010, que o Brasil só perdia para a Bolívia e para o Haiti na diferença entre ricos e pobres. Além disso, a ONU também afirmou que o Brasil possuía uma “baixa mobilidade social”. Esse modelo de vida norte americano que estamos conservando desde 1930 e que nos disse que deveríamos ser uma nação simpatizante ao Capitalismo (abuso na propriedade privada gera grandes diferenças sociais), agora nos rotula e critica como sendo um dos países com a maior taxa de desigualdade social do planeta? Existe, novamente, uma contrariedade nessa história.

O GOVERNO AINDA NÃO PERCEBEU QUE GASTAR 9 VEZES MAIS DINHEIRO EM SEGURANÇA DO QUE EM EDUCAÇÃO NÃO ESTÁ DANDO CERTO? O que mais vemos é falta de segurança nas ruas e até mesmo dentro de nossas casas. Não estamos seguros em lugar nenhum. O que pode fazer a diferença é difundir cultura e educação de verdade principalmente em regiões carentes do país, onde existe uma maior probabilidade de uma pessoa se tornar criminosa ao invés de um professor, por exemplo. Totalmente ausente de preconceitos.

Não deixo como conclusão para este post um incentivo às pessoas para que tenham voz ativa em assuntos políticos porque tenho certeza de que isso nunca aconteceria. As únicas coisas que peço são que, primeiramente, as pessoas não vejam a Política como algo chato ou inútil (como ocorre atualmente), mas como algo que foi base para o desenvolvimento da sociedade e que, sem ela, o mundo não seria como qual o conhecemos. E que, também, as pessoas não culpem completamente o governo por terem total falta de informação (é certo que o governo nos priva muito de uma boa educação) mas que ao invés de reclamarem sobre o sistema sem fazerem nada a respeito de buscarem uma melhora, que elas desliguem a TV da novela e vão ler um bom livro.

 

por Gabriel Zago

04 de maio de 2012